5 perguntas para… Raphaella Perlingeiro, do Raphinadas

By 24 de junho de 2016 5 perguntas, cultura, principal, rio de janeiro, turismo, viagens

Um café da manhã na Casa Carandaí foi a escolha perfeita para o papo que eu tive com a entrevistada de hoje. Matei minha vontade de comer em um lugar que eu sempre visitava rapidamente, matei a curiosidade de conhecer uma pessoa que já admirava, só pela convivência virtual, e ainda dei a sorte de receber uma notícia em primeira mão! A Rapha, ou Raphaella Perlingeiro, para ser mais formal, está de mudança! Ela vai morar na Holanda e, já em ritmo de despedida, conversou com o blog sobre o Raphinadas, a mudança, o Rio de Janeiro e, claro, viagens, assunto sobre o qual ela é expert. Confesso que bateu uma surpresa quando soube que a Rapha estava deixando o Rio, mas, logo a surpresa virou alegria. Agora, ela vai levar o jeito despojado e todo o amor dela pela Cidade Maravilhosa para passear pelo Velho Continente. O papo foi tão bom, que a gente nem lembrou de tirar uma foto juntas. Uma pena, mas, garanto que a entrevista está bem legal e, no final, a Rapha ainda fez uma brincadeira comigo e indicou um lugar do Rio que ela acha que seria a minha cara. O que eu posso contar é que ela acertou em cheio! Para saber qual foi a dica dela, só lendo a entrevista.

Quando começou sua paixão por viagens? Eu sempre gostei, desde criança. Quando eu era pequena, eu ficava olhando os livros do meu avô e imaginando como eram os lugares. Sempre fui assim, sempre fui de ficar viajando nas leituras. Quando terminei a faculdade e comecei a trabalhar, eu rodei o Brasil todo com a educação à distância, lá na PUC, fui para um monte de lugar. Mas, para fora do Brasil, que é o meu foco com o meu trabalho, eu comecei a ir em 2005. Eu me casei e foi quando eu consegui juntar dinheiro para viajar para fora. A gente começou a ir direto e eu fui me aprofundando e gostando mais. Paris sempre foi minha obsessão, então, era aquela cidade que eu conhecia antes de conhecer. Tem até um escritor que fala isso: ‘Paris é a cidade que ninguém vai pela primeira vez’. Só que eu não gostei, fiquei muito decepcionada. Eu tinha chegado de Londres, para onde eu fui sem esperar nada. Só que foi muito bom, e quando eu cheguei a Paris, estava acontecendo uma greve, não foi legal, o primeiro hotel que eu fiquei foi ruim… Eu acho que isso foi uma coisa que me motivou a pensar em ajudar as pessoas. Se as pessoas tiverem essa parte da logística bem organizada, para chegar e conseguir ver a cidade, não tem estresse com a mala, com o transporte. O meu objetivo é fazer a pessoa se apaixonar pela cidade. Em outra viagem, quando a gente voltou a Paris, a gente ficou em um hotel que não era o do pacote – porque a gente tinha ido com um pacote antes – era um que eu tinha escolhido, à beira do Sena. Aí foi ótimo, a gente começou a descobrir aquelas ruas pequenininhas e foi pegando o espírito da cidade. A primeira vez que eu fui, eu não ligava para gastronomia. Depois, eu já comecei a pesquisar bistrôs e foi outra experiência, eu descobri que os melhores restaurantes ficavam nas ruazinhas. É diferente você ir para Paris comer em um bando de lugar ‘pega turista’ e você ir para um lugar que é mais residencial, que tem umas coisas mais genuínas. É como vir para cá e ir pro Porcão em comparação a vir pra cá e comer no Sat’s. Eu acho que você vai sentir mais a cidade se você for ao Sat’s.

Raphinadas pelo mundo. Fotos retiradas lá no Instagram do blog.

Raphinadas pelo mundo. Fotos retiradas lá no Instagram do blog.

No Raphinadas, você tem uma parte que é blog, para contar suas experiências, e tem o serviço que você vende, que são os roteiros personalizados. Isso é o seu trabalho. Como ele funciona? Eu sou formada em História e Literatura. A História me deu esse background de fazer pesquisa. O trabalho para fazer um roteiro personalizado começa quando eu sento e converso com as pessoas (clientes). É uma conversa livre, não é uma entrevista. A pessoa vai me falando o que ela quer, a ideia é a pessoa trazer as expectativas dela, para que eu possa conhecê-la. Tem pessoas que se sentem na obrigação de fazer algumas coisas. Eu já tive uma cliente que falou: ‘Eu tenho que ir a um museu, né?’. Mas eu vi que ela queria mais fazer outras coisas. O legal é ver, realmente, o foco da pessoa e ir montando junto com ela o roteiro.Às vezes, as pessoas chegam com demandas muito específicas. Nessa semana mesmo, um menino falou: ‘Olha, vou fazer uma viagem de trabalho, vou estender pra mais seis dias, você tem que me entregar nessa semana. Eu confio em você, só quero fazer isso, isso e isso e o resto fica por sua conta’. Depois, ele falou que gostava de ficar mudando. Aí, eu já sugeri: ‘Em vez de eu ficar me preocupando com os deslocamentos, que é uma parte que ocupa muito tempo, eu vou fazer um cardápio pra você, divido em regiões e você faz como você quiser’. E ele adorou. Mas, no roteiro ‘tradicional’, depois dessa primeira conversa, eu dou uma proposta, faço um mapa inicial, pensando: quero focar nisso e nisso, mostro para a pessoa e pergunto o que ela acha. A pessoa dá um feedback, se ela tiver gostado, ela paga e eu monto uma proposta oficial de projeto. Se ela aprovar, eu faço a parte final, o arquivo em pdf.

Com quanto tempo de antecedência você faz um roteiro? Você é rígida com isso ou depende da urgência do cliente? Lá no site eu coloquei que o ideal é com três meses de antecedência, mas não adianta, eu sempre vou pelo que a pessoa quer. Para esse menino que eu contei, da viagem a trabalho, eu expliquei que teria que cobrar uma taxa de urgência porque eu só tinha cinco dias e era muito cansativo. Ele entendeu e disse que tudo bem. Mas eu tento pensar também que o valor não pode impedir a pessoa de fazer o roteiro, então, tento cobrar um preço que dê à pessoa a sensação de que ela está fazendo um bom investimento. Tem amigo que dá muita dica, mas não necessariamente o que o seu amigo gostou é o que você vai gostar. Eu acho que tem uma coisa que não é muito palpável. Eu tenho um feeling bom para ver o que a pessoa gosta e é diferente ter uma pessoa que é especializada montando o roteiro. E não é só dar dica, é organizar a viagem, ver se é possível ou não fazer as coisas. É por isso que, além do roteiro personalizado, eu faço consultoria. Quando a pessoa vai fazer uma viagem com muitos deslocamentos, para vários países ou várias regiões, eu acompanho a pessoa para reservar os hotéis, ver os deslocamentos, separar as atrações, ver a parte de visto, acompanhar toda a organização de viagem. E tem outra coisa que eu fiz pela primeira vez, a Raphinadas Express. Isso eu não tinha como serviço, mas a pessoa me pediu e eu criei. A pessoa já tinha todo o roteiro, mas ela nunca tinha ido pro lugar e não sabia se estava bom, se tinha muita ou pouca coisa. Ela me mandou o roteiro e no dia seguinte eu conversei com ela e mandei as coisas que eu achava que devia alterar, alguns detalhes que ela não tinha visto. É uma coisa mais específica.

E com a mudança para a Holanda, como vai ser, você vai continuar fazendo à distância? Eu acho que vai ser ótimo. Eu vou fazer mais pesquisa de campo e vou ficar trabalhando de lá. As primeiras reuniões (com os clientes), eu vou fazer por Skype, que eu acho que funciona super bem. Eu vou, eventualmente, tentar fazer um curso de guia lá.

O Rio em quatro tempos, pelas lente da Rapha: praia, Cristo Redentor, Jardim Botânico eu uma combinação perfeita!

O Rio em quatro tempos, pelas lente da Rapha: praia, Cristo Redentor, Jardim Botânico eu uma combinação perfeita!

Se você tivesse que fazer um roteiro do Rio para alguém, independentemente do gosto da pessoa, indicaria algum lugar indispensável? Casa Carandaí. (risos) Ai, que pergunta difícil. Geralmente eu indico pensando na pessoa. Por exemplo, se eu fosse indicar para você, o que eu falaria? Eu falaria para você ir à Urca, porque eu acho que é um lugar descontraído, com uma vista muito bonita e tem as pessoas sentadas na mureta, tem um clima interessante.

Pergunta bônus (sim, estou transgredindo a regra, mas é para a felicidade geralda nação!): qual é o seu lugar favorito no Rio? Quando você voltar da Holanda, para onde você vai querer ir primeiro? Sinceramente, comer coração de galinha no Sat’s, com a minhas amigas. Mas tem tanta coisa que eu gosto no Rio: a Urca, o Leblon, que me lembra muito da infância. E quando eu chego ao Rio, de táxi, e ele desce ali pela Lagoa, eu penso: ah, a menina da Zona Sul está chegando.

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