Um dia de bicicleta pelo Rio

By 12 de julho de 2016 principal, rio de janeiro, turismo

Passear pelo Rio de Janeiro de bicicleta é uma das atividades mais deliciosas de ser fazer para curtir a cidade. Nós, que adoramos um magrela, resolvemos tirar um dia – na verdade, cinco horas e meia – para fazer uma verdadeira maratona – foram mais de 42 quilômetros percorridos! – por alguns bairros do Rio – oito, se não faltou nenhum na contagem – e poder contar aqui as vantagens e desvantagens que o ciclista enfrenta. Já começamos com uma super reclamação: a quilometragem de ciclovias disponível é inversamente proporcional ao tamanho da cidade e à quantidade de atrações legais que ela tem a oferecer. A Zona Norte, por exemplo, é zero favorecida nesse ponto. Mas, como nós já falamos aqui, nosso objetivo é tentar, sempre, extrair da cidade o que há de melhor nela. É por isso que registramos um imenso elogio: se você  seguir nossas dicas, vai se divertir e ter histórias boas para contar por muito tempo.

Nenhuma de nós tem (o sonho da) bicicleta própria. Já começamos, então, contando com a sorte. Decidimos que nossa melhor opção era alugar uma bicicleta do sistema Bike Rio, bancado por um banco cujo nome todos sabem e a logomarca é laranja. Nas fotos aqui embaixo já vai rolar propaganda gratuita o suficiente, vamos evitar escrever o nome. Acordamos cedo e, às 9h, devidamente alimentadas, estávamos na estação Ferreira Viana, na Praia do Flamengo, em busca dos nossos veículos do dia. Escolhemos o plano diário e combinamos de ficar direto com a bicicleta, pagando R$ 5 por hora extra, para deixar o passeio mais prático. Aqui, você pode ler tudo a respeito dessa modalidade de aluguel de bikes e escolher o que melhor se encaixa nos seus planos e no seu orçamento. Equipadas – a gente não usou capacete, mas, se você tiver, use. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço -, partimos para o Aterro do Flamengo, onde começava nosso roteiro.

Enseada de Botafogo

Enseada de Botafogo

A maratona foi feita no domingo passado. Para nossa sorte, o dia estava com temperatura agradável. Não tão azul quanto gostaríamos, mas lindo o bastante para dar um upgrade no passeio. Na semana anterior, já tínhamos dado uma olhada no Google Maps para checar as possibilidades de rota e fechamos o seguinte: início no Aterro, fim no Mirante do Leblon. Mudamos de ideia no meio do caminho e o roteiro final foi:

1- Aterro do Flamengo: da estação da bicicleta, fomos até o Santos Dumont pelo calçadão da praia do Flamengo e voltamos pela avenida Infante Dom Henrique mesmo, que estava fechada como área de lazer. Seguimos até a enseada de Botafogo;

Aterro do Flamengo

Aterro do Flamengo

Aterro do Flamengo

Aterro do Flamengo

Brincando com a sombra

Brincando com a sombra

Detalhe de uma árvore no Aterro

Detalhe de uma árvore no Aterro

2 – Urca: fizemos a primeira paradana praia Vermelha, para umas fotos e para descansar um pouco;

3 – Leme: fomos visitar a estátua da escritora Clarice Lispector, inaugurada há relativamente pouco tempo, e descansamos um monte;

Praia Vermelha

Praia Vermelha

Um momento raro da estátua da Clarice: sossego

Um momento raro da estátua da Clarice: sossego

Praia de Copacabana

Praia de Copacabana

Clarice Lispector

Inscrição ao lado da estátua

Fingindo que sou turista. ;-)

Fingindo que sou turista. 😉

4 – Arpoador: quem em, sã consciência, tem a oportunidade de tirar fotos na pedra mais famosa do Rio e não faz isso? Registramos – pela milésima vez na vida – o morro Dois Irmãos e planejamos o lanche da manhã. A essa altura, já estávamos pedalando há duas horas e a tapioca do Cafeína de Ipanema caiu muito bem.

5 – Mirante do Leblon: com uma mistura de satisfação por encarar a subida do início da Niemeyer e tristeza por relembrar a queda de parte da ciclovia Tim Maia, aproveitamos a vista durante um tempo – o mar estava incrivelmente azul no dia – e logo partimos rumo à Lagoa;

Arpoador

Arpoador

Morro Dois Irmãos

Morro Dois Irmãos

Tom Jobim também em raro momento sem assédio

Tom Jobim também em raro momento sem assédio

Lanche da manhã no Cafeína

Lanche da manhã no Cafeína

Mirante do Leblon

Mirante do Leblon

Mirante do Leblon

Mirante do Leblon

6 – Botafogo: depois de passar pela Lagoa, nós pegamos a ciclovia do Humaitá e aí começaram os problemas. Longe da orla, acabam as facilidades para o ciclista e, em dado momento, a ciclovia acabou sem nenhuma indicação aparente e nós tivemos que nos aventurar ao lados dos carros até reencontrar as faixas exclusivas para bicicletas alguns quilômetros adiante.

7- Aterro do Flamengo: a ideia não era ir e voltar, mas a empolgação estava grande e nós fechamos o ciclo no mesmo lugar onde começamos. Foi bom porque economizamos dinheiro de tranporte público e conseguimos curtir mais uma vez o visual do Aterro. Não foi sacrifício nenhum.

Fazendo pose em Ipanema

Fazendo pose em Ipanema

Em dose dupla

Em dose dupla

Fomos almoçar em estado de êxtase e pura felicidade. Com a serotonina bombando depois de um longo e considerável exercício físico, além do orgulho compartilhado por ter finalizado o objetivo, não podia se diferente. Mas, quando a adrenalina vai baixando, começa a cair a ficha e você pensa nos pontos negativos da aventura. A mais óbvia constatação é que bicicleta, no Rio, só na Zona Sul, e, mesmo assim, com ressalvas. Falamos rapidamente sobre isso no início do post e achamos necessário voltar ao assunto agora. Nós constatamos que quem mora no Rio e tem vontade de usar o veículo como meio de transporte no dia a dia, para ir e voltar do trabalho, por exemplo, vai esbarrar em vários poréns. O primeiro, é a falta de ciclovia. Como dissemos, moradores das zonas Norte e Oeste, e do Centro, perdem feio nesse quesito. E, mesmo onde há a faixa exclusiva para bicicletas, é preciso ser corajoso e persistente. Quando pedalamos pela ciclovia das ruas internas de Humaitá e Botafogo, vimos postes e canteiros de árvores no meio do caminho, divisão mal feita entre ciclovia e calçada e até ciclovias que acabam ‘do nada’. Além disso, em muitos pontos de todo o caminho percorrido por nós, a sinalização é envelhecida, desgastada ou mesmo inexistente. Ainda assim, recomendamos o passeio. É legal ver a cidade passando em uma velocidade diferente, sentir o vento no rosto e aproveitar a facilidade de estar sobre rodas sem a desvantagem de poluir o ambiente. Por falar nisso, motoristas, mais educação, por favor!

Mirante do Leblon

Mirante do Leblon

A inspiração para esse post nasceu depois de eu ter lido sobre o passeio que a Debbie e o Felipe, do blog Pequenos Monstros, fizeram por Barcelona. Vale muito a pena conhecer a experiência deles. E se você já fez algo parecido ou tem alguma dica para dar a quem quer aproveitar o Rio sobre duas rodas, deixa seu comentário aqui. A gente vai adorar ler e compartilhar com  todos os leitores.

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