5 perguntas para… Gabriela Saliba, do Fruta do Tacho

By 14 de julho de 2016 5 perguntas, principal, rio de janeiro

Cuidar da saúde, comer bem, saber o que está consumindo e colocar para dentro alimentos ‘de verdade’ são, inegavelmente, uma (boa) preocupação da nossa sociedade atualmente. Mais do que ostentar corpos sarados nas praias do Rio, mais pessoas têm buscado ostentar ótimas taxas sanguíneas. Não à toa, vêm crescendo as ofertas de marcas, feiras e projetos focados em atender à essa demanda. Uma dessas iniciativas é a Fruta do Tacho, da Gabriela Saliba. Ela produz alimentos veganos, como doces diversos, compotas, geléias, bolos, biscoitos, sorvetes, conservas e picles. O processo criativo – e braçal -, é todo tocado por ela. Gabriela, que já teve várias profissões, tira de letra a missão de cuidar do que vende desde a compra da matéria-prima até a etapa de embalagem e entrega aos clientes. Ela coloca amor e dedicação em cada fase do processo. Agora, ela quer levar o que produz para mais perto dos clientes. Com uma campanha na Benfeitoria, ela busca a certificação de produto orgânico para participar das feiras especializadas que acontecem pela cidade. Conheça um pouco mais do trabalho da Gabriela na nossa entrevista de hoje.

Antes de ser Fruta do Tacho, seu projeto tinha outro nome, que era Flor no Tacho. Como ele surgiu? A Flor no Tacho surgiu em 2013, quando eu estava desempregada. Como um passatempo, enquanto eu não conseguia um novo trabalho, comecei a cozinhar. Juntava os amigos no terraço comunitário do meu prédio e pedia que eles experimentassem e dessem notas e fizessem considerações críticas sobre as comidinhas que eu andava fazendo. Nessa época, uma grande amiga minha, a Clarice Lopes, que é terapeuta floral, falou: ‘Por que você não coloca florais nos seus biscoitos e jujubas?’. E eu comecei a fazer umas experiências e fiz o blog Flor no Tacho. A coisa não evoluiu muito, eu cozinhei durante uns seis meses para amigas que trabalhavam fora, fazia a comida da semana, para elas comerem no dia a dia, e algumas coisas congeladas, como sopas e feijões. E foi assim que surgiu o Flor no Tacho.

Fruta do tacho / Crédito: Fernando Correa

Você sempre foi culinarista, sempre trabalhou com alimentos? Eu já tive vários trabalhos diferentes. Eu tenho 45 anos, sou formada em Fisioterapia e pós-graduada em acupuntura há 12 anos, mas eu já fui motorista de kombi, já fui vendedora de loja de jóias, já fui operadora e coordenadora de telemarketing, já fui secretária e também já trabalhei como apresentadora de programa de escalada de TV. O Estadium, programa de esporte da  TVE Brasil, me deu um quadro chamado ‘Partiu’. Ali dentro, eu divulgava os melhores escaladores do país. Eu escrevia e fotografava, passei quatro anos viajando pelo Brasil, fazendo matérias. Eu gosto muito de arte. Ah, também já fui baterista. Dos 13 aos 20, eu toquei bateria, dos 22 até agora, eu sou montanhista – pratico como esporte e como estilo de vida. E essa mudança de estilo de vida, quando eu descobri o montanhismo, tem uma conexão direta com o estilo de comida do Fruta do Tacho. Eu sou montanhista, gosto de um estilo de vida mais tranquilo, mais saudável, mais sustentável. Durante oito anos, até eu criar o Flor no Tacho e começar a cozinhar, eu tinha uma pequena horta, no mesmo terraço onde os meus amigos comiam. Os temperos, eu tirava dali: manjericão, alecrim, orégano, pimenta. Também plantava várias mini-flores: bougainville, maracujás. Agora, eu tenho o projeto, aqui no meu prédio, de fazer uma horta comunitária, da qual eu vou cuidar sozinha, vou tomar conta da horta para todos os moradores.

Atualmente, você tem uma campanha em andamento na Benfeitoria para dar um novo passo com seu projeto. Conta para a gente qual é o objetivo de crowdfunding? O objetivo é que eu alcance a certificação orgânica, para eu poder levar meu produto para as feiras orgânicas. Meus produtos, hoje, não são orgânicos, são veganos, com o objetivo de ter a certificação. Com o dinheiro da campanha, além da certificação, eu vou poder registrar a marca e comprar alguns acessórios melhores para trabalhar na minha  cozinha.

bolsinha de croche

Fruta do tacho_20160616_030

Nos últimos anos, temos visto um movimento crescente de preocupação da sociedade com uma alimentação mais saudável. O que você acha que fez as pessoas passarem a se preocupar mais com o que comem? Eu concordo plenamente que as pessoas estão mais atentas ao que comem, estão mais preocupadas com uma alimentação mais saudável. Eu acho que o excesso de comidas a quilo, que levam você a comer coisas não tão saudáveis, é uma das razões que fazem com que a pessoa pare para olhar um pouco mais pra dentro. Além disso, eu citaria como motivos para as pessoas se preocuparem mais como o que comem o excesso de restaurantes não-saudáveis, o excesso de gente jovem tendo problemas cardíacos, diabetes, e o próprio corre-corre, que não permite que a gente se cuide. Parece contraditório, mas eu acredito que quando você não tem tempo, acaba ficando mais preocupado. Tem um movimento slow food, que está fazendo muita gente se preocupar em, pelo menos na hora de comer, deixar mais lento o ritmo interno.

Aqui no Rio, que outros projetos ou lugares com a mesma filosofia da Fruta do Tacho você recomenda para os nossos leitores? Eu recomendo que a galera busque associar-se à Slow Food Rio de Janeiro, sem dúvidas. É o melhor caminho. Não é um projeto, é um estilo de vida, é você deixar mais lento, parar para comer algo que também foi feito com mais carinho, atenção, focado no que está fazendo.

Crédito das imagens do post: Fernando Correa.

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