5 perguntas para… Fernanda Ventura, da Clin

By 6 de outubro de 2016 5 perguntas, principal, rio de janeiro

A primeira vez que eu encontrei a Clin em uma feira de jovens empreendedores do Rio foi como amor à primeira vista. Fiquei encantada, principalmente, pelas pedras usadas nas bijuterias, que dão às peças leveza e personalidade, ao mesmo tempo. Combinadas com um design bem clean – desculpem o trocadilho -, a pedras dão aos brincos, anéis e colares uma certa exclusividade, afinal, os formatos delas não se repetem, embora se assemelhem. A marca, criada por Fernanda Ventura e Handyara Rocha, valoriza o produto nacional, o que dá ainda mais gosto de ver as criações e pensar que é tudo muito ‘coisa nossa’. Nós batemos um papo com a Fernanda, a designer – e faz-tudo – da Clin, sobre o processo de criação dela, o mercado criativo carioca e as dores e delícias de tocar o próprio negócio.

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Qual é a história da Fernanda e quando e como a Clin surgiu nela? Fernanda é filha de pai artista e de uma mãe faz-tudo, ou seja, não tinha como fazer outra coisa que não fosse ligada ao ato ‘fazer’, usar as mãos, testar, inventar, criar e sempre sofrer as crises existenciais do processo criativo. rs Comecei fazendo faculdade de Design Gráfico – Produto, tinha um gosto por fotografia e cozinha, mas acabei caindo de paraquedas na Moda quando me mudei para o Rio. Não vou dizer que era um sonho de infância estudar Moda, eu até gostava de fazer as roupinhas das minhas Barbies, mas nunca tive uma certeza do que eu queria fazer. A bijuteria sempre esteve presente, desde nova, quando fazia pra vender no colégio e juntar um dinheirinho. Então, as coisas fluíram naturalmente, fui pegando gosto e vendo que não tinha como seguir outro caminho porque era aquilo que eu gostava e fazia de melhor. A Clin surgiu com a ideia de uma amiga, minha ex-sócia. Ela queria mudar de vida e ter seu próprio negócio. Eu também tinha esse sonho, mas eu sempre fui insegura; ela me deu um empurrãozinho, incentivou e investiu.

A Clin privilegia a matéria-prima produzida aqui no nosso país. Vocês são 100% brasileiras, né? Eu, particularmente, amo as pedras que vocês usam. Quais são os materiais que vocês utilizam e porque essa escolha por valorizar o produto nacional? A Clin tenta ao máximo preservar o consumo consciente e valorizar a matéria-prima brasileira. Buscamos fazer o que é possível dentro disso. Não dá pra ser hipócrita e trabalhar um marketing dizendo que somos 100% sustentáveis e 100% brasileiras porque sabemos que isso hoje em dia ainda é algo bem difícil e caro de se manter, mas valorizar o que é nosso é essencial, tanto na vida pessoal como no país em que moramos. O Brasil tem muitas qualidades e capacidades o problema é que o brasileiro não dá valor. Mas acredito que estamos nos caminho de mudar isso. Será um processo longo e demorado. A escolha dos materiais parte, a princípio, disso, mas se uma ou outra pedra acaba me conquistando pela beleza e pela energia eu não deixo de usar por não ser brasileira. A questão principal é a forma como essa matéria pra chega até nós. Buscamos empresas sérias que se preocupam e que tenham os mesmos princípios que os nossos, então não vejo problema em usar uma pedra que não seja brasileira, desde que a mesma tenha sido ‘conquistada’ de maneira correta e ética.

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Como é ter sua própria marca e se virar nos trinta para dar conta de todas as obrigações que ela exige? Ter minha própria marca é libertador e muito cansativo, mas vale cada esforço. A parte burocrática, às vezes, dá a maior preguiça, mas quando consigo me concentrar e sento pra organizar e me dedicar a isso, as coisas fluem e chega a dar um orgulhinho por ver o crescimento a cada mês. Eu realmente faço de tudo, então, tento ser o mais organizada possível pra não embolar nada no final. Divido meus dias por etapas de produção. Por exemplo: tem dia de criar coisa nova, dia de fotografar, dia de planejar e deixar preparados os posts do Instagram e por aí vai. Tento seguir esse mesmo processo toda semana.

Aqui no Rio, há muitas marcas novas e legais de joias e bijuterias. Muitas têm uma pegada autoral interessante e eu percebo que há grande diversidade de propostas. O que você acha que, nesse mercado tão concorrido, diferencia a Clin e os produtos que você cria e vende? Acho que o diferencial, não só da Clin mas também de algumas marcas de biju que conheço, é exatamente isso que você falou: a pegada autoral. Eu tenho o meu estilo, minha maneira de criar, gosto de inventar, brincar com as pecinhas, e isso tudo acaba dando à Clin a minha cara. Hoje em dia um dos melhores elogios que escuto é justamente relacionado a isso: quando dizem que todos os modelos conversam, que são diferentes entre si, mas que ao mesmo tempo possuem a mesma característica única. O reconhecimento da marca através do seu produto e não do nome é a melhor coisa que existe, por exemplo, às vezes a gente vê uma roupa lindona na rua e já pensa: ‘Aposto que é da Farm’. E isso já acontece com a Clin, nas feiras muita gente me dá esse feedback.

Quais são as suas inspirações? Como uma marca carioca, você acha que o Rio acaba influenciando os produtos da Clin? Uma das minhas principais inspirações visuais são as peças da Luiza Dias 111, amo o trabalho dela. Na hora de pesquisar referências eu busco muita coisa do design também, fugindo um pouco da moda e da biju em si, acho que isso contribui no desenvolvimento de novas formas e acaba sendo um desafio. Muitas das minhas peças têm como inspiração luminárias que encontro nas buscas pelo Pinterest. Mas, fora isso, tenho minhas inspirações de vida que são meu pai e minha mãe. Acho que o Rio tem influência indireta nos produtos. Sou do interior do estado e a mudança pra cá me fez crescer muito, a Clin é resultado esse crescimento. Então todo amadurecimento que tive e tenho no Rio é passado para os produtos da Clin.

 

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