5 perguntas para… Nanda Carneiro, da LeveMe

By 11 de outubro de 2016 5 perguntas, principal
Foto: Good Dog

A busca por uma alimentação saúdavel e interessante, depois de perder quase 20 quilos a base de muita salada e frango grelhado sem graça nenhuma, fez a jornalista carioca Fernanda Pereira Carneiro descobrir que pode fazer mágica com os alimentos. Com a descoberta de que comer bem – por bem, entenda que estamos falando de comidas gostosas e preparada com ingredientes saudáveis – não precisa ser sinônimo de sofrimento, ela acionou uma paixão de infância, a culinária, e deu uma guinada na vida profissional: deixou de lado os blocos, canetas, gravadores e notícias, e criou a LeveMe, empresa especializada em gastronomia funcional. E de dar água na boca! Com o blog, ela falou com muita sinceridade e sem demagogia sobre alimentação saudável. Uma dica? Prepare-se para imagens fortes!

Nanda, sua primeira formação é o Jornalismo. Quando e por que sua cabeça virou a chave para a culinária? Eu sempre tive uma relação bem íntima com a cozinha. Na minha casa, as reuniões sempre foram feitas em volta do fogão. Sempre achei que sala era um lugar mais frio, o ‘bafafá’ acontece mesmo na cozinha: é para onde você puxa alguém para contar um segredo ou fofoca, é onde prepara a base para todos os dias, enfim, é meu lugar favorito desde que me entendo por gente. A paixão pela culinária funcional nasceu depois de uma reeducação alimentar, em que eu comecei a ver que além do poder que cada alimento tem, a combinação entre eles poderia potencializar os benefícios de uma receita. Depois disso, notei que pessoas com intolerâncias, alergias e restrições, ainda tem muitos problemas para se alimentar com sabor. Existe um gap de mercado em que essas pessoas ainda não são totalmente integradas. Como acredito que comer é, acima de tudo, um ato social, fico triste quando algum amigo ou conhecido não pode sentar à mesa comigo em um bar e escolher qualquer item do cardápio sem passar mal, porque simplesmente não há um menu compatível/adequado às suas restrições. Esse tipo de lugar é muito raro ainda no Rio e no Brasil. Está crescendo, mas ainda falta variedade e ainda existe o mito de que comida sem glúten e sem leite é também sem sabor. Quando eu vejo as pessoas comendo e gostando, tenho a certeza de que o caminho saudável é muito mais curto do que parece e pode ser, sim, delicioso.

A LeveMe surgiu logo de cara, quando você resolveu mudar? Qual é a história do projeto? A LeveMe nasceu da vontade de espalhar a alimentação sem glúten e sem lactose pelo Brasil, por isso que minha empresa se divide entre produtos, atualmente em 15 lojas do Rio, workshops pelo país, onde ensino a pessoa na prática a criar, e consultoria, em que monto cardápios de novos empreendimentos. O que muita gente ainda considera ‘moda’ faz parte de um contexto muito mais sério e importante: há milhares de pessoas celíacas, alérgicas e intolerantes. Muitas não tem informação ou acesso a uma alimentação adequada. Ou ainda acreditam que precisam viver restringindo o que consideram gostoso. Eu quero mostrar que dá, sim, para fazer coisas maravilhosas sem ingredientes tão tradicionais, como o leite condensado, ou ainda amplamente usado, como o trigo. Existem alimentos que se transformam de forma surpreendente na cozinha. É como mágica, mas numa versão possível. Nós, brasileiros, temos como parte da cultura as reuniões em volta da mesa, dos bares, e comida e bebida fazem parte de celebrações o tempo todo, sejam elas quais forem.  Com isso em mente, eu comecei a adaptar para transformar esses eventos em algo mais saudável e possível para esse público com restrições.

Bolo, torta, docinho, cookie, carolinas... A família LeveMe é matadora!

Bolo, torta, docinho, cookie, carolinas… A família LeveMe é matadora!

Você prova todas as suas receitas? Qual é a sua relação com a sua comida? Eu provo tudo! Amo comer! rs Acho desesperador o terrorismo alimentar que se prega hoje em dia. Acredito que a grande maioria das pessoas precisa rever urgentemente a sua relação com a comida. Eu vivo na cozinha testando, jogando fora, refazendo, fazendo os amigos de cobaia, pensando em novas combinações. Acho delicioso entrar lá sem olhar para o relógio, deixar fluir a criatividade. Se eu pudesse dar um conselho, apenas um, aos que se interessam por esse tipo de culinária, seria: arrisque-se sem medo. Tente estudar como cada farinha e ingrediente funcionam. Quando cozinhamos sem glúten, é preciso estudar um pouco mais, pois nada é feito com poucos ingredientes. É preciso combiná-los para alcançar uma textura bacana e para isso é necessário saber um pouco o funcionamento dos grãos e líquidos glúten e lacfree. Outro conselho é: esqueça essa coisa do ‘Ah, mas é muito caro’. Pense que gastamos com alimentação e poupamos com remédio no futuro. É uma ‘troca’ mais do que justa.

Qual é a sua receita favorita? Você pode dividi-la com a gente? Tudo começou com o brownie, então ate hoje ele é o meu xodó 🙂 Posso, claro! [A receita está lá no final da entrevista, depois da foto da belezura que é esse brownie!

Você acha que o estilo de vida dos cariocas é mais propício para uma alimentação mais consciente ou não necessariamente? Acho que por vivermos em uma cidade cheia de praias e com uma orla linda, com um clima quente e ensolarado 90% do ano, isso favorece a busca por um corpo mais saudável e bonito, sim. Mas acredito que isso venha crescendo em várias regiões, independentemente do estilo de vida local. As pessoas estão mais conscientes e aprendendo a lidar melhor e a escolher de forma mais inteligente os alimentos. Acho que nunca se falou tanto em orgânicos, alimentação funcional, exercícios e tudo mais. Isso é ótimo! Quem ainda não entrou na dança, acaba se movimentando também!

Brownie cajuzinho, brownie com doce de leite e brownie na marmitinha: podemos querer todos? Podemooos!

Brownie cajuzinho, brownie com doce de leite e brownie na marmitinha: podemos querer todos? Podemooos!

Brownie da Nanda

Ingredientes:

3 ovos

150g de chocolate 70% cacau

1 xicara de acucar demerara ou mascavo

100g de oleo de coco ou de girassol

70g de farinha de arroz

Modo de prepato: derreta o chocolate com o óleo em banho-maria. Enquanto isso, bata os ovos com o açúcar. Junte o chocolate derretido e bata mais. Por último, adicione a farinha e bata até que fique homogêneo. Coloque a massa em uma forma untada de 24 cm de diâmetro e leve ao forno pré-aquecido a 200 graus por 15, 20 minutos.

Foto da abertura da entrevista: Good Dog. Conheça, o trabalho é lindo!! 🙂

 

Seja o primeiro a comentar

    Deixe uma mensagem