5 perguntas para… Roberta Chapetta, da Badulaques

By 20 de outubro de 2016 5 perguntas, principal

Eu conheci a Badulaques, marca de acessórios da Roberta Chapetta, bem por acaso. Foi num encontro da Malha, plataforma de moda colaborativa instalada em São Cristóvão. A Roberta estava por lá, ajudando na organização e participando do lançamento do projeto, e distribuiu uma bolsinha de pano com uma de suas criações dentro. Confesso que só conferi quando cheguei em casa e meus olhinhos brilharam: o mimo era um brinco de abacaxi lindo e cheio de charme. Não tem uma vez que eu use o bendito sem ouvir um elogio!

Esse meu encontro casual – e paixão imediata – com a Badulaques mostra muito do que tem por trás da marca. A Roberta não conquista só pelos acessórios. No nosso bate-papo, ela conta que é preciso muito estudo para conseguir empreender, fazer bem o que faz e se estabelecer como uma marca independente. Se você também quer seguir por esse caminho, a Roberta dá dicas. Se você também se apaixonar pela Badulaques, uma novidade das boas! A marca acabou de ganhar uma loja virtual. 😉

Como e quando nasceu a Badulaques? A Badulaques nasceu há muito muito tempo! Eu faço acessórios desde o primário, aprendi com uma tia e fazia porque era um hobbie que ainda servia para complementar a renda. Eu vendia pras amigas, pras amigas da minha mãe, parentes, todo mundo. Sempre amei muito trabalhos manuais, criar peças, brincar com as cores, materiais diferentes e técnicas. Mas, nessa época, nem pensava em como desenvolver isso e segui outros caminhos. Anos mais tarde, uma chefe na assessoria de imprensa que eu trabalhei perguntou por que eu não lançava uma marca de acessórios. Porque eu continuava produzindo as minhas peças, mas não vendia mais e todo mundo me perguntava onde eu comprava, elogiava e tal. Guardei no coração, mas ainda insisti em outros caminhos. Em 2014, passei por uma fase de questionamentos sobre meu futuro profissional e concluí que não queria mais continuar fazendo a mesma coisa. Sempre quis empreender um negócio próprio e comecei a desenvolver a marca Badulaques, caminhando para o formato que ela tem hoje. Comprei uns materiais com uma graninha que tava sobrando, reuni umas amigas para vender, multipliquei a grana, comprei mais peças… Em 2015, saí do mercado formal e comecei a me dedicar exclusivamente à marca. Tô nessa estrada há um pouco mais de um ano.

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Você sempre trabalhou com moda? Ou foi uma escolha recente? Não, eu sempre trabalhei com marketing digital. Mas era mais voltada ao mercado de cultura. Sempre me interessei por moda e por empreendedorismo e quando resolvi dar essa guinada na minha vida profissional quis reunir essas duas paixões. O mercado de moda é muito específico, com sua própria dinâmica e linguagem. São vários desafios. Além de aprender a gerenciar meus próprios projetos e meu tempo. Fiz vários cursos, conversei com muita gente, entrei para uma escola de empreendedorismo, procuro crescer no caminho que escolhi. Tinha muito medo desse mundo novo (e ainda tenho), mas fui com medo mesmo.

Como é o processo de criação das peças? O que inspira você? Eu busco muitas referências e traduzo as peças para o meu olhar. Gosto muito de brincar com cores e materiais e penso nos acessórios mais como um figurino, que irá ornamentar quem usar, do que uma peça de moda propriamente dita. Também me inspiro na mulher brasileira. Desde o começo quis fazer um trabalho voltado para a nossa força, alegria, determinação. Somos empoderadas, poderosas e tudo se traduz em muita atitude. Procuro fazer uma leitura própria das tendências e trazer mais personalidade. Estávamos acostumadas durante muito tempo a usar coisas de fora, produzidas em grande escala, por causa do preço acessível, ou seguirem tendências que não conseguíamos garimpar em outros lugares. Mas a produção local e o consumo consciente estão crescendo e ganhando cada vez mais espaço. É possível achar coisas nacionais de boa qualidade, preço justo e modelos lindos.

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O Rio tem ganhado muitas feiras de moda e design. Você acha que a cidade está mais receptiva a marcas independentes como a sua? Com certeza! O mercado de moda tradicional sempre foi muito fechado. Mas com o surgimento de novas marcas, locais onde a galera pode expor e vender seus trabalhos e a venda por redes sociais, os novos produtores e marcas independentes estão ganhando visibilidade e espaço. O carioca também aceitou muito bem todas essas novidades. Só tende a crescer mais e mais!

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Qual conselho você daria para quem também quer colocar uma marca independente no mercado? Qual o primeiro passo? Estudar muito! Não necessariamente se inscrever em alguma instituição, ou sair pagando cursinhos por aí. Mas pesquisar, estudar a fundo seu nicho de mercado, ouvir muito seu público, entender seu comportamento, onde eles gostam de se divertir, qual o passatempo preferido deles, etc. Estudar seus concorrentes, reconhecer onde eles acertam muito e onde erram, tentar encontrar um diferencial. E ser cara de pau. Conversar com todo mundo que você ache importante nessa trajetória. Bater de porta em porta, conhecer gente nova, se expor e expor o seu trabalho. E, claro, aprender técnicas novas, procurar evoluir com seu trabalho, garimpar em locais inusitados, se for o caso. Ir onde ninguém vai.

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