“Drive”: um verdadeiro herói

Se você tem o coração fraco, certamente, seu cardiologista não indicaria “Drive”. A adaptação para o cinema do livro homônimo de James Sallis, dirigida pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn, merece respeito. Não é desses filmes de ação que abusam de explosões e perseguições e dos ouvidos do espectador, fazendo-o sair do cinema tonto depois de tanto barulho. “Drive” tem cenas violentas, sim, mas elas são justificadas por um roteiro incrivelmente envolvente, que faz a respiração de quem assiste ficar suspensa nos quase 100 minutos que o longa tem de duração.

Ryan Gosling é o herói sem nome do filme. Durante o dia, ele trabalha em uma oficina e atua como dublê em cenas cinematográficas de ação. À noite, em uma Los Angeles que aparece imersa na podridão, faz bicos como motorista de fuga, que pouco fala e nada sabe sobre as atividades de quem o contrata. O ator – que é uma escultura da natureza, vale registrar – expressa os conflitos internos, a solidão e a responsabilidade que carrega o personagem principal na medida certa, com poucas palavras e uma atuação incrível. Irene, a mocinha de Carey Mulligan, não é ruim, mas fica sem espaço para crescer perto do herói atormentado pelo amor e pelo destino inevitável que ele saber que deve seguir.

O filme tem, desde o cartaz, uma estética oitentista que pode não ser unanimidade, mas combina com o ritmo intenso com o qual a história é narrada. Cores fortes e, ao mesmo tempo, muita escuridão combinam com a brutalidade seca e sem pena que é exposta. Assim como no clássico dos clássicos – “O poderoso chefão” -, essa brutalidade é do tipo que choca, mas não causa repulsa porque faz parte do contexto. É genial!

Sei que o meu post chegou atrasado, assim como o lançamento do filme aqui no Brasil, mas ele chega junto com as cópias de “Drive” às locadoras, portanto, corra e aproveite para alugar.

Corra para ver uma das melhores sequências de cinema dos últimos anos, que acontece no elevador, e que não pode ser descrita aqui em detalhes para não estragar a surpresa.

Corra para um filme que é de ação, mas que pode deixar você completamente apaixonado ao final. Sim, tem romance também. Mas, meninos, não corram na direção contrária. É romance pra macho também. E, vamos combinar, vocês acabam, em algum momento, cedendo e abrindo o coração.

Por fim, corra para uma trilha sonora enlouquecedoramente boa. A última do filme – a primeira aqui em baixo – me ajudou com o título do post e é minha favorita, devo confessar. Mas, no geral, Cliff Martinez arrasa corações e mentes com um pezinho lá nos anos 80. Duvida? Ouve aí, então!

Viviane da Costa

Um comentário sobre ““Drive”: um verdadeiro herói

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