O diário de Vivi (parte II)

Essa vista da Lagoa só comprova que os moradores do Rio são presenteados diariamente

Uma das perguntas que eu mais ouço quando as pessoas percebem que eu perdi 13 quilos é: ‘Como você se sentia antes?’. Normal. É, eu nunca tinha percebido que estava incríveis 12 quilos fora do peso. Sempre que uma blusa de botões, daquelas sociais, não fechava, eu pensava: ‘Ah, três quilos e a gente resolve isso’. Entrar na loja e pedir calças jeans tamanho 42 não me incomodava ou acendia qualquer tipo de ‘luz de alerta’ dentro da minha cabeça. Tudo isso até o grande dia.

Janeiro de 2011, chego à academia e marco a avaliação. Dias depois, lá estava eu diante do professor, da balança e do medidor de gordura. Fiz tudo o que o cara mandou e, então, ele veio com o veredicto cruel: ‘Olha, você precisa perder 12 quilos para chegar ao seu peso ideal. Não vai ficar gorda nem magra demais. Vai ficar no peso ideal’. Ok. Ele falou com tanta naturalidade que eu quase achei que fosse uma piada, mesmo assim, parti para o andar de baixo, onde faria a série de musculação. Recebi mil instruções sobre como os exercícios aeróbicos e o alongamento são importantes e como é difícil transformar massa gorda em massa magra. Estava tão perturbada com aquele número ’12’ que só uns dias depois assimilei que eu, definitivamente, teria que me dedicar inteiramente aos exercícios e a uma mudança de vida. Hoje eu sei que começava ali a fase ‘suor’.

Foram quatro meses de esforço e empenho. Esteira, spinning, maldita musculação e aulas de alongamento para não morrer de dor. Perdi cinco quilos e estagnei. Não gostava de academia. Tudo era irritante: as músicas, a lotação, o clima forçado de gente saudável e, pior, o fato de eu não sair feliz de lá. Já era difícil arrumar um tempinho na correria diária para malhar, quando esse tempinho não era prazeroso, a preguiça ganhava de goleada. Abandonei. Abandonei, não, troquei.

Troquei as paredes brancas e o ar condicionado pela vida lá fora. Comecei a ‘testar’ atividades que dessem resultado físico e que eu achasse realmente legais. Foi assim que eu comecei a correr. Na verdade, eu comecei a caminhar bem lentamente antes de correr e aos poucos fui evoluindo. Hoje eu corro, geralmente, em locais próximos à minha casa, como o Maracanã. Mas os imbatíveis mesmo são a Lagoa e a Urca. Além de as pessoas parecem realmente saudáveis ao ar livre – o que é um estímulo incrível -, a paisagem dispensa apresentações. Dá energia, vigor e prazer. Quando acaba, além de ter a sensação de dever cumprido,  eu sempre fico feliz e como a cabeça mais leve. Parece que até os problemas dão um tempo.

Pra quê academia com isso tudo à disposição, de graça, e sem revezamento?

Correndo por aí, os resultados físicos vieram muito mais rápido do que quando eu estava na academia. E ficaram. Hoje eu sinto que tenho mais disposição e condicionamento. Mesmo se eu fico uma semana em casa, de pernas para o ar, quando eu volto a correr, o corpo não trai. Ele dá uma enferrujada, mas é daquelas fraquinhas, que vão embora nas primeiras passadas. Ah, também tento me movimentar mais no dia-a-dia. Subir alguns lances de escada sem terminar a ‘jornada’ ofegante é sensacional. Caminhar até a locadora que fica um quilômetro mais longe da minha casa nem dói tanto quanto parece. E, o melhor, chegar em casa sem achar que um trator passou em cima de mim depois de um dia de trabalho, como diria a propaganda, não tem preço.

Na semana que vem termina essa minha história. São as lágrimas. Mas não precisa separar um lencinho porque o final, como eu já contei, é feliz!

Ah, quem perdeu a parte I pode conferir aqui!

Viviane da Costa

3 comentários sobre “O diário de Vivi (parte II)

  1. Mas agora está só correndo? Me conte!!
    Eu tb voltei a mexer o esqueleto, tô no pilates.
    Mas no meu caso o empurrãozinho foram duas hérnias de disco aos 24 anos. :/
    Bom, precisamos de um chopp pra botar esse papo em dia!!

  2. Pingback: O diário de Vivi (final) « fôlego

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