Viajo porque preciso

Viajar é uma das coisas mais deliciosas da vida. A começar pelo frio na barriga que antecede a partida. Algumas pessoas ficam ansiosas, outras eufóricas e tem as que só se enrolam mesmo. Gente que perde as chaves de casa, o freio e o voo, se deixar. Mas isso não importa. A satisfação da chegada é muito maior do que qualquer expectativa que seja criada. Quando você viaja é como se a vida real desse uma parada. Tudo – principalmente os problemas – fica pairando no ar enquanto você aproveita o sol potiguar ou o frio gaúcho. E tudo é divertido também: andar até não ter mais pernas, torrar uma grana no melhor restaurante da cidade e não conseguir se comunicar com a população local.

Viagens nos ajudam a desenvolver a tolerância. Seja por causa da consciência de que o momento desfrutado é temporário, seja porque não vale mesmo a pena jogar por água abaixo o investimento e a preparação de meses por um estresse qualquer. Na boa, estresse não vale a pena nunca. E é por isso que tolerância tem a ver com evolução, porque é difícil pra caramba não se estressar. Pronto, mãe, tá aí um bom argumento para detonar meu suado dinheiro em viagem, né? Viajo e conquisto aprimoramento pessoal! Nada de ‘só pro meu prazer’.

Mas, sabe, apesar de todos os benefícios de uma viagem bem feita, ainda existem aquelas pessoas que preferem o retorno. Não sei se é porque eu moro na cidade mais maravilhosa do mundo – título atestado pela Unesco -, mas eu faço parte desse grupo. Na verdade, o Rio de que me perdoe, mas não é só por causa disso. É porque esse mundo todo é muito bom e oferece experiências fantásticas e intermináveis, mas ‘não há lugar como o lar’, já dizia Dorothy. A volta é aconchego, é desfrutar de ouvidos atentos a todas as roubadas em que você se meteu, e olhos sonolentos para as cinquenta mil fotos de todos os ângulos da Torre Eiffel. Voltar é reencontrar os amores deixados: amigos, pais, namorados, irmãos, bicho de estimação, travesseiro do coração e boteco de tradição. É reencontrar os amores de todos os dias, os que permanecem, que não vacilam, que resistem a qualquer fugidinha.

Viviane da Costa

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