Menos é mais

Vamos lá, meio ano já se passou, portanto, pegue sua lista de resoluções de Ano Novo para a conferência. Ah, você não tem isso? Tudo bem. Eu também não. É que a vida é muito curta para planos que limitam e pressionam. Prefiro a ideia de buscar sonhos, que encantam e motivam. Enfim, melhor começar de novo.

Que tal um exercício rápido? Não seria interessante perder alguns quilos, ser mais inteligente e viver mais? Não seria ainda mais interessante se você pudesse alcançar todas essas ‘metas’ dormindo, pensando em sexo e ficando menos tempo sentado? Como diriam as Organizações Tabajaras, seus problemas acabaram. Nada do que eu disse aqui em cima é feitiçaria. Pelo menos é o que garantem os milhares de estudos, pesquisas, levantamentos que pipocam diariamente nos canais de notícias. Meras tentativas de racionalizar o que poderia fluir naturalmente com a vida nossa de cada dia.

Em um intervalo de menos de uma hora eu encontrei essas três grandes pérolas no Twitter: dormir muito ajuda a perder peso, pensar em sexo melhora o raciocínio lógico e limitar o tempo que passamos sentados nos ajuda a viver mais. É praticamente um manual para uma vida perfeita. Ótimo, né? Não.

Atenção, ciência, eu te amo. E amo todas as facilidades que você proporciona à minha vida hoje. Mas acho que sua mãe não te ensinou a ter limites na infância. Problema de criação, eu entendo, mas facilmente resolvido com um pouco de vergonha na cara. Sabe o que é? É que ninguém aguenta essa pressão o tempo todo por uma realidade inatingível, sem emoção e (de verdade) pouco atrativa. Chega de estatísticas frias e de conclusões vazias.

Tira umas férias aí, ciência. Dá um tempinho para nós vivermos a vida de verdade, que é cheia de noites mal dormidas, lotadas de horas de ócio desfrutadas no sofá da sala e longos momentos de mente vazia, sem nada para  nos preocupar. Deixa uma brecha para essa maravilhosa vida sem regras e cheia de erros da qual qualquer pessoa inteligente e bem resolvida só pode ter motivos para se orgulhar. Pode ser?

Espero que sim, porque se você, querida ciência, não colaborar, vai ficar de castigo. É bem fácil sair do Twitter e fingir que você não existe. Pelo menos até o próximo telejornal entrar no ar.

Boa noite!

Viviane da Costa

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