Indicado da semana: dose dupla

Hoje eu estou igual a bar em dia de semana no horário em que as pessoas estão saindo do trabalho: o cliente paga uma bebida e leva duas. É o famoso happy hour com dose dupla de ______ (complete com a bebida de sua preferência, sem moderação). Mas o produto que eu ‘comercializo’ é diferente. E, melhor, não custa nada! Quer dizer, custa seu tempo, ou seja, custa muita coisa, por isso, vamos lá.

Estive nesta semana na maior celebração literária do país. E digo isso com a certeza de não estar escrevendo besteira ou qualquer exagero. A Festa Literária Internacional de Paraty completou uma década em 2012 e confirmou (mais uma vez) que é sucesso absoluto. Em outra oportunidade posso fazer uma lista que justifique todo esse meu amor. Por ora, quero registrar que ainda estou embriagada de literatura. Portanto, trago dois excelentes tumblrs para quem – mais do que ler – ama os livros: Grifei num livro e A Writer’s Ruminations.

Algumas pessoas cobrem os livros de cuidados, não emprestam para ninguém e tremem na base ao imaginar uma daquelas orelhas que se formam sem querer, com o uso mesmo. Eu não sou uma dessas pessoas. Cuido muito dos meus livros, mas penso que eles são do mundo, feitos para serem compartilhados. É por isso que eu amo a ideia do ‘Grifei num livro’. O tumblr reúne marcações de trechos de livros considerados interessantes pelos leitores. Bem simples. Cada seleção feita ao seu jeito. Todas elas especiais. Ótimo para perder horas lendo boas frases, vendo o que mexeu com outras pessoas e procurando trechos de livros que já passaram pelas suas mãos.

Passando o mouse pela foto dá para saber o nome dos livros

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Passando o mouse pela foto dá para saber o nome dos livros

Para os conservadores, o ‘A Writer’s Ruminations’ pode ser mais agradável. Na tradução literal, são ‘reflexões de um escritor’. Mas nada de rabiscar livro, marcar, fotografar ou qualquer coisa do tipo. São trechos selecionados e transcritos diretamente para o tumblr. O único contratempo é que o conteúdo é todo em inglês.

‘I broke your heart.
Now barefoot I tread
on shards.’ — Vera Pavlova, “I broke your heart” (translated by Steven Seymour)

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‘My poems bloom naked as roses.’ — Adonis, from “Elegy for the Time at Hand” (translated by Samuel Hazo)

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‘We must leave evidence. Evidence that we were here, that we existed, that we survived and loved and ached. Evidence of the wholeness we never felt and the immense sense of fullness we gave to each other. Evidence of who we were, who we thought we were, who we never should have been. Evidence for each other that there are other ways to live—past survival; past isolation.’ — Mia Mingus

E, para terminar, volto ao início. Volto à Flip. Volto ao poeta Carlos Drummond de Andrade, o grande homenageado da Festa neste ano. Eterno.

Fazendeiro do Ar, Carlos Drummond de Andrade

Viviane da Costa

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