Destino: o melhor país do mundo

Centro de Oslo, perto da Ópera House e da Estação Central / Fotos: Nina Lua

Perfeição. Se fosse preciso definir a Noruega em uma palavra, eu escolheria essa. Além da foto aqui de cima, que já é suficiente para dispensar justificativas, o país ainda é o melhor lugar do mundo para viver considerando quesitos como padrão de vida, educação e renda. E quem garante isso é a Organização das Nações Unidas. O Reino da Noruega, nome oficial do país, tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano de todo o planeta: 0,943. É de impressionar quem vê de longe e quem conhece de perto também.

A estudante de jornalismo da PUC-Rio Nina Lua sabe bem que os noruegueses são organizados, valorizam a vida ao ar livre, a boa hospitalidade e passam um bocado de frio. Ela chegou ao país em dezembro de 2010 – pico do inverno por lá – para um intercâmbio na Universidade de Oslo e ficou um ano em Oslo, a capital, na vila estudantil de Kringsjå. Nesse tempo, ela colaborou com a revista The Monthly Moose, dos alunos internacionais da universidade e, de quebra, ainda deu uma voltinha pela Europa. Nada mal, né?

Nina na Ópera House

Por que a Noruega? Eu queria que o meu intercâmbio fosse uma experiência bem diferente em termos culturais também, queria encontrar uma realidade distinta da que eu vivo aqui no Brasil. Então, dentre as universidades que tinham convênio com a PUC e um departamento equivalente ao de Comunicação Social, a Universidade de Oslo foi uma escolha que tinha a ver com isso que eu estava procurando.

Qual foi a sua primeira impressão do país? Frio, muito frio! Eu cheguei em pleno inverno, quando as temperaturas chegavam a cerca de 30 graus negativos e só tinha umas quatro horas de claridade por dia. Além disso, eu não conhecia ninguém por lá ainda. Foi difícil, porque não dava para passear muito e conhecer a cidade. Depois que as aulas começaram, conheci algumas pessoas na faculdade e foi ficando mais fácil, porque eu passei a ter companhia para fazer as coisas. No inverno, geralmente, os estudantes se reúnem nas casas uns dos outros, nas house parties ou para cozinhar em grupo, ou então vão esquiar, tanto nos parques – fazendo esqui cross country, que eles praticam muito na Noruega – quanto na estação de esqui que fica bem perto da cidade (dá para chegar de T-ban, o metrô de Oslo) e tem descontos para estudantes todas as sextas-feiras.

Estação de metrô em Oslo

Você diria que a primeira impressão é a que fica ou você mudou sua percepção depois de conhecer a Noruega? Muito da primeira impressão fica. A Noruega realmente é um país muito frio! E tem um certo distanciamento entre as pessoas, maior do que o que a gente está acostumado no Brasil, pelo menos. Mas também acabei aprendendo coisas sobre a cultura deles que não percebi no começo. Por exemplo, os noruegueses têm uma relação muito próxima com a natureza. Eles valorizam muito as atividades ao ar livre e as diferenças entre as estações do ano. Eles acham importante as crianças ficarem ao ar livre. Mesmo em pleno inverno, é comum encontrar carrinhos de bebê do lado de fora das cafeterias: os pais entram para beber um café e, enquanto isso, deixam o neném pegando ‘ar puro’.

Você aprendeu o idioma? Tem uma palavra favorita? Eu fiz aulas de norueguês, mas só aprendi o básico. É muuuito difícil! Acho que minha palavra preferida era a que eu mais falava: ‘takk’! Quer dizer ‘obrigada’, e era um jeito de ser simpática com os noruegueses falando alguma coisa na língua deles depois de uma frase inteira em inglês, hahaha. Eles todos falam inglês muito bem, desde novinhos.

E um lugar favorito, você tem? Qual? Por quê? O lago Sognsvann. Ele fica bem perto da vila estudantil onde eu morava. No inverno, quando eu cheguei, ele estava todo congelado e coberto de neve. As pessoas iam lá para esquiar e fazer fogueiras à noite. No verão, a neve derrete e as árvores em volta ganham folhas, aí aparece um lago lindo, com um bosque em volta. As pessoas então vão até lá para nadar, pegar sol, praticar esportes e fazer churrascos.

Lago Sognsvann congelado

Lago Sognsvann no verão

Como foi o convívio com os noruegueses? Os noruegueses são um tanto fechados e tímidos, mas ao mesmo tempo muito receptivos. Na primeira semana na faculdade, os alunos internacionais são divididos em grupos e têm a chamada ‘Buddy week’, uma semana em que dois estudantes noruegueses da universidade guiam um grupo de cerca de vinte estudantes internacionais em várias atividades, para que a gente faça amizades e conheça melhor a cidade. Então, esses noruegueses levaram a gente para um clube de jazz, uma festa na floresta gelada, uma festa na casa de outros amigos noruegueses, um jantar na casa de um deles etc., tudo nessa primeira semana. É uma preocupação que a universidade tem: eles sabem que a gente chega em um país diferente, muito frio, e que os noruegueses não são muito abertos imediatamente. Então, esse é um jeito de promover a integração entre os estudantes internacionais e noruegueses, e fazer com que a gente se familiarize com o ambiente em que vamos viver pelos próximos meses. Depois de um tempo, você começa a perceber que os noruegueses são muito doces e abertos a conhecer novas culturas e formas de ver o mundo.

O que mais te surpreendeu – de forma positiva – no país? A organização. Por exemplo, o metrô e os ônibus são pontualíssimos – nos pontos eles têm um indicador de quantos minutos faltam para eles passarem, e eles sempre aparecem na hora marcada!

Quais são os pontos fracos da Noruega? Para alguém que vive no Rio, eu diria que o maior ponto fraco é a falta de gente. Mesmo a maior cidade, Oslo, não tem nem um milhão de habitantes. Depois de um tempo por lá, eu sentia muita falta de ver mais gente nas ruas, esbarrar nas pessoas na calçada, ir a um restaurante lotado, essas coisas de que a gente reclama por aqui, mas que fazem falta quando a gente está fora do país.

Você indica a Noruega para os turistas? Sim! É um país lindo!

Qual é o tempo necessário para conhecer ‘bem’ o país? Não sei dizer ao certo, acho que bastante tempo. O país é bem grande e tem vários lugares legais para serem visitados, muitos dos quais eu não tive tempo de conhecer. Por exemplo, bem ao Norte tem as ilhas Lofoten, que dizem que são lindas, mas que eu não conheci. Também Tromsø e Trondheim são destinos bem turísticos. A região de Bergen, onde tem os fiordes, é linda, e eu tive a oportunidade de visitar. Vale muito a pena o passeio! A região de Stavanger também é muito bonita. Mais para o centro da Noruega, tem Lillehammer. E Geilo, que é um lugar muito legal para quem gosta de esquiar.

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Na mesma época em que você ficou na Noruega, conheceu outros países da Europa, né? Quais? Sim! Fui a Espanha, Portugal, Bélgica, Holanda, França, Luxemburgo, Escócia, Inglaterra, Irlanda, Marrocos, Grécia, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Alemanha, Croácia, Áustria, Rússia, Finlândia e Suécia. Acho que foram esses, hahaha…

Se você pudesse indicar um ‘pulinho’ em algum deles para quem pretende conhecer a Noruega e tem tempo para mais uma parada, qual seria? Por quê? Eu recomendaria muito uma visita a Estocolmo, que, assim como Oslo, é uma capital escandinava, mas que é bem mais cosmopolita e cheia de vida que a irmãzinha norueguesa e, além disso, é uma cidade linda.

Por fim, uma pergunta que não tem a ver com viagem, mas tem a ver com você. Por que Nina Lua? Hahaha, não sei! Mamãe e papai eram meio hippies e gostaram do nome, acho que é isso.

Viviane da Costa

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