Destino: a mãe do fondue

É possível passar um ano comendo os melhores chocolates do mundo e não engordar, sabia? Quem garante é a jornalista Carol Jardim, de 24 anos, que morou entre setembro de 2004 e julho de 2005 na Suíça. Mas é claro que o bônus tem um ônus. Se você já está planejando uma viagem para se deliciar sem culpa, um aviso: para manter o corpo em forma, é preciso preparar as pernocas para desbravar as belíssimas montanhas suíças. Sim, porque o país não é feito só de comida! Há também lugares maravilhosos, a Carol conta, por isso, ela dá um conselho: ‘Não se esqueçam de se perder!’.

Inverno em Sorengo

Durante o intercâmbio cultural que fez na Suíça, pela AFS, a jornalista morou em uma pequena cidade chamada Sorengo, que faz parte de Lugano, na Suíça italiana, mas conheceu outras cidades na própria Suíça. ‘Meus destaques vão para Andermatt, onde fiquei ‘ilhada’ com meus pais no meio de uma nevasca, porque não tínhamos pneus de neve; Geshinen, meio do nada, onde participei de um acampamento de verão da AFS; e Zürich, que eu acho linda de morrer e onde eu tinha um monte de amigos’, indica Carol.

Lago de muzzano e Andermatt

Como você resumiria sua experiência no país? A Suíça é uma delícia e Ticino (o cantão italiano) é melhor ainda. A região mistura o espírito suíço com o espírito italiano e a combinação é muito boa. Além de ser a região mais quente do país, Ticino é lindíssimo. Ainda tenho contato com alguns dos amigos que eu fiz lá e com a família que me acolheu. Aprendi horrores e acho que todo mundo deveria fazer intercâmbio quando adolescente.

O fondue suíço legítimo é maravilhoso. Sim ou com certeza? Sim e com certeza! Derreter o queijo na hora não tem nada a ver com aquela mistura pronta que a gente encontra por aqui!

Momento etiqueta: o que acontece com quem deixa o pão ou a fruta cair dentro da panelinha? Na Suíça é só o pão! (Mentira, não sei se tem fondue doce, deve ter, mas a minha família não comia) Na nossa casa, pelo menos, a tradição era ter que pagar uma prenda – cantar uma música, dançar, pagar um mico, qualquer coisa do tipo. Fazia altos malabarismos para o meu pão grudar para sempre naquele espeto, e, se não me engano, nunca tive que pagar prenda!

Alguma outra curiosidade sobre os hábitos dos suíços? Fondue se come com chá! Ok, vinho tinto também, mas não ofereça nenhuma bebida fria, eles vão achar mega estranho comer alguma coisa tão quente com alguma bebida gelada. Eu achava divertido também eles serem tão politicamente corretos. Tudo ia para a coleta seletiva. E antes de separar, tudo era muito bem lavado (já viu pote de iogurte na máquina de lavar louça?). Além disso, eles têm plebiscitos o tempo todo para qualquer tipo de decisão, então quase todo domingo tem eleição para alguma coisa e todos eles participam.

Tamaro e Lema, duas montanhas que a Carol via da janela de casa. ‘A trilha entre elas demora o dia inteiro para ser feita, mas vale a pena’, garante

O que é imperdível na Suíça? Infelizmente eu perdi o Festival de Montreux, mas com certeza é um must go! Na época eu não era tão ligada em restaurantes, mas lembro que comi muito bem nos poucos que eu fui, então explorar a culinária local é fundamental. (Aliás, suíços não costumam ir a restaurantes, então, como eu morava com uma família suíça, consigo contar nos dedos as vezes que nós fomos). Nada mais suíço do que passear e subir montanha, tem sempre uma trilha com vista imperdível e, claro, snowboard!

E o que pode ser dispensado? Não consegui pensar em nada! hahahaha

O que só a Suíça tem? Só a Suíça tem chocolate de verdade! Comia uma barra por dia e não engordei (só de montanha que tem para subir…)

E o que faz aquela falta para um brasileiro que mora por lá? Senti falta de um monte de coisa, tipo arroz com feijão e churrasco. Minha mãe chegou a me mandar um quilo de bala ‘7 Belo’. Mas hoje eu sinto falta de um monte de comida de lá (tipo o pão de nozes! Meu deeeeeus, o pão de nozes…). Não tem jeito…

Trem que percorre as cidades próximas a Laguno. Ele tem um sorriso na frente e os faróis são os olhos. Coisa fofa, né?

Manual do turista: o que pode adiantar a vida e o que é uma grande roubada? Ande de trem! E só de trem. É o melhor meio de transporte pela Suíça. Rápido, vai para tudo quanto é lugar e tem paisagens lindíssimas. Geralmente você escolhe entre o que cruza os alpes por cima das montanhas de neve ou pelo que entra no túnel mais longo do mundo, então você sempre sai ganhando. De carro, a melhor coisa que a gente fez durante uma viagem foi se perder. Acabamos indo para um lugar muito mais suíço de verdade do que para as cidades grandes para onde nós queríamos ir. Então, não se esqueçam de se perder. A Suíça tem muita coisa regional bacana, mas também é muito cosmopolita, se ficar nos lugares comuns, vai achar que está em qualquer outro lugar. Outra coisa: não vai achar que é igual Brasil e querer dar uns ‘jeitinhos’. Se entrar no trem sem ter passagem na mão (e validada na máquina!), vai pagar 80 euros. Não pode colocar o pé no banco do trem, jogar lixo no chão e um monte de coisa. Enfim, lembre-se de que o país é um dos mais civilizados ever

Qual souvenir vale um bom investimento? Não chega a ser um investimento, mas não pode voltar sem aquelas bolas de vidro com casinha e neve! (sabe qual?) Afinal, neve é o que não falta, nada representa melhor!

E que tipo de coisa acontece na Suíça e é melhor que fique na Suíça? (algo como: uma night muito boa que vai fazer você acordar no dia seguinte se sentindo um personagem de ‘Se beber, não case’) Cara, as minhas melhores nights foram com o pessoal do intercâmbio mesmo. Como o país é pequeno, a gente marcava em várias cidades. Pequeno entre aspas, né, porque cansei de pegar quatro horas de trem para festas em Zürich. Acaba que uma emenda na outra e quando você vê, está há três dias na rua pegando trem. Uma delas foi a três horas de trem + meia hora de ônibus + uma hora a pé subindo uma montanha de distância da minha casa. Parecia uma casa de lenhador da chapeuzinho vermelho, sensacional. Bom que ninguém deu PT (acho), porque não tinha a menor possibilidade de explicar como se chegava lá! Quem vai para a Suíça (principalmente a parte alemã), geralmente volta dizendo que não tem o que fazer. É porque não soube fazer. Aqui no Brasil as festas são públicas, festivais, micaretas, shows e tal. Lá as festas acontecem como ainda acontece no interior do Brasil: muita gente, muita bebida, lugares legais, mas só para convidados. Acho mais divertido. Fora isso: pubs! Eu adorava um chamado Living Room, que era mínimo, mas sempre tinha música legal.

Além de saber tudo sobre a Suíça, com várias dicas que você não encontra nem nos melhores guias, a Carol entende bem de fotografia – que hoje é só um hobby – e de comida. Ela é dona do blog Raiz de Gengibre. Se você acha que é um fracassado na cozinha, seus problemas acabaram. E não são as Organização Tabajaras que vão te salvar! É uma mortal, assim como você, que estabeleceu um objetivo e está desempenhando-o muito bem. Carol já deixou de ser uma ‘negação’ e é o ‘orgulho da mamãe’, como ela mesma define no Raiz de Gengibre. Vale a pena conferir as quase duzentas receitas (com fotos!) lá no blog e se arriscar em um almoço – ou talvez só sobremesa – para a família!

Na coluna da esquerda: bacalhau com crosta de broa; risotto de gorgonzola com pera; patata bravas. Na coluna da direita: bomba inglesa; verrine de maracujá e cream cheese; coulant de chocolate.

Viviane da Costa

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