Iguais mesmo só no nome

‘Gonzaga, de pai para filho’ é mais uma das homenagens prestadas ao Rei do Baião no ano do seu centenário. O filme de Breno Silveira, mesmo diretor de ‘Os dois filhos de Francisco’, tem como foco também relações familiares entremeadas pela música. Mas, nesse, em vez do incentivo e da aposta incondicionais de Seu Francisco, o público vê na telona um relacionamento conflituoso entre pai e filho que só não são diferentes no nome. Gonzagão e Gonzaguinha são hoje renomados artistas brasileiros, donos de obras que ajudam a contar a história do país. O primeiro, pernambucano, escancara a cultura nordestina em letras poéticas embaladas pelo ritmo característico dos arrasta-pés. O segundo, carioca, manteve voz ativa durante a ditadura e teve mais de 50 subversivas músicas censuradas no período. Dois gênios indomáveis.

No filme, seis atores interpretam cada um dos personagens em diferentes fases da vida. De cara, Julio Andrade chama atenção pela semelhança com Gonzaguinha, característica que o ajudou a conquistar o papel. Mas, apesar de o filho problemático de Luiz Gonzaga parecer vivo nas telas, falta um pouco da personalidade controversa do artista na interpretação de Julio. Gonzaguinha parece um amargurado receoso, que não libera de verdade a raiva que sente pelo pai. Já Chambinho do Acordeon, que faz Gonzagão dos 30 aos 50 anos, conquista o público com a sanfona na mão. Estreante no cinema, o ator, que vem de uma família de sanfoneiros piauienses, superou 5 mil inscritos na disputa pelo papel e perdeu dez quilos para interpretar o ídolo.

Um dos maiores méritos do filme é, sem dúvidas, a exaltação da obra de Gonzagão. Luiz Gonzaga é apresentado ao público junto com os seus grandes sucessos, o que ajuda a formar uma boa trilha sonora. A fotografia não ousa e acaba sendo um pouco cansativa e repetitiva, sem fugir do padrão tradicional que retrata paisagens do sertão nordestino em tons terrosos e amarelados. Apesar da importância no enredo, Gonzaguinha não é muito explorado pelo lado artístico, mas isso também não faz falta. O longa tem alguns recursos clichês, como o uso de câmera lenta em momentos importantes da história, mas consegue emocionar. É um blockbuster que certamente será um sucesso comercial e que pode ajudar a movimentar uma inexpressiva bilheteria nacional neste ano de 2012.

Clique aqui para ouvir uma rádio especial com os clássicos do Rei do Baião. E aqui para conferir a página oficial do filme no Facebook, com notícias e detalhes sobre a produção.

‘Gonzaga, de pai para filho’ tem estreia prevista para o dia 26, uma sexta-feira, em todo o Brasil. A pré-estreia nacional foi no dia 10, no Cine São Luiz, no Recife.

Viviane da Costa

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