Destino: a Veneza brasileira

Lembra das aulas de história, quando a gente aprendia sobre a importância de Mauricio de Nassau para Recife? Nós aqui do Um fôlego podemos apostar que o aprendizado ficaria bem mais interessante se a professora passasse um tempinho falando das belas praias, da gastronomia ou das gírias arretadas da capital mais antiga do Brasil. Berço do frevo e do maracatu, Recife é dona de uma imensa diversidade cultural. Sol, praia, comida e música boa, além de história para contar. Quer mais motivos para conhecer a cidade, que ainda leva o título de Veneza brasileira por reunir canais e pontes assim como a romântica região italiana? O jornalista Guilherme Carréra nos guia por essa viagem. Pernambucano, ele conhece Recife desde criança e descobre sempre uma novidade sobre a cidade nas matérias que faz para o canal de turismo do site Pernambuco.com. Vamos nessa?

Praia de Boa Viagem

Você sempre morou em Recife? Sempre. Nasci e cresci aqui, mas cheguei a fazer alguns intercâmbios. Morei três meses em Ohio, nos Estados Unidos, aos 15 anos. Depois, passei dois meses em Paris, na França, aos 19. E, mais recentemente, passei cinco meses no Rio de Janeiro, aos 21.

Conhece alguma cidade de Pernambuco, além da capital, que valha muito a pena conhecer? Pernambuco tem um litoral muito bonito, tanto ao norte, como ao sul. Com frequência, escolho um dos municípios desse litoral e pego a estrada com minha namorada pra aproveitar as praias mais afastadas da capital. Em Ipojuca, no litoral sul, tem Porto de Galinhas, Muro Alto, Maracaípe e Serrambi, todas essas praias são sensacionais para relaxar. Minha dica é a Praia de Carneiros, em Tamandaré, também ao sul. Mais isolada, é o lugar ideal pra fugir do mundo.

Qual seu lugar preferido em Recife? Por quê? Recife vem crescendo muito nos últimos anos, principalmente, por conta do Complexo Portuário Industrial de Suape. Com a economia aquecida, os serviços (e os preços) estão em alta. Para se ter uma ideia, o metro quadrado de um imóvel no Recife, hoje, é o quarto mais caro do país, atrás do Rio, de Brasília e São Paulo, apenas. Mas, por sermos uma cidade litorânea, dá pra se divertir sem ficar refém de programas de alto custo, como bares, restaurantes e lojas. A orla da Praia de Boa Viagem, nossa praia urbana, vale a visita, se você gosta de dar um mergulho no mar para tirar o olho gordo. Tem quiosques com água de coco, calçadão disputado e ciclovia.

Qual lugar é obrigatório conhecer na cidade? Vir a Pernambuco e não conhecer Olinda não dá. Recomendo uma ida ao Alto da Sé, no Sítio Histórico da cidade que, em 2012, comemora os 30 anos do título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco. Olinda faz parte do Grande Recife e é de onde o turista tem a melhor vista pra o Recife. Além de circular pelo casario da Cidade Alta, comprar na feirinha de artesanato e provar da tapioca de coco com queijo, o recém-inaugurado mirante do Alto da Sé proporciona uma vista em 360 graus, integrando Recife e Olinda numa só paisagem.

O que um turista não pode deixar de fazer de jeito nenhum em Recife? O passeio de catamaran pelo Rio Capibaribe, que corta a cidade e virou personagem em livros, músicas e filmes nacionais. A Catamaran Tours é a empresa que oferece o passeio pelas ilhas e pontes do Recife. No trajeto, o catamaran passa pelo Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do estado, pelo Teatro de Santa Isabel, o mais antigo da cidade, e pelo caranguejo gigante, símbolo do movimento manguebeat de Chico Science nos anos 1990, localizado na Rua da Aurora, a mais recifense das ruas do centro do Recife.

Em sentido horário: caranguejo gigante, Teatro Santa Isabel, Rio Capibaribe e Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco

Tem uma época que você ache mais legal para conhecer a cidade? No verão, com certeza. A partir de outubro, o sol sai de vez e dá pra aproveitar as praias da região. Dezembro, janeiro e fevereiro, por conta das férias e do carnaval, são os meses que concentram o maior fluxo de turistas.

Dicionário do turista: tem alguma expressão regional que você ache mais curiosa? O pernambuquês é quase um dialeto. A gente fala ‘oxe’, ‘oxente’ e ‘vixe’ quase que pra pontuar as frases. ‘Arretada’ é uma coisa muito massa. E muito ‘massa’ é uma coisa muito, mas muito boa mesmo. ‘Pirangueiro’ é alguém que não está a fim de gastar muita grana, o famoso mão-de-vaca. E o ‘fuleiro’ é alguém que ‘fulera’, fazendo uma ‘fuleiragem’. Ou seja, alguém que lhe deixa na mão.

Qual comida típica não dá para deixar de experimentar no Recife? Cartola. É uma sobremesa típica de Pernambuco. Com banana frita, uma camada de queijo manteiga, açúcar e canela por cima. A melhor e a mais tradicional é a do restaurante Leite, o mais antigo em atividade no Brasil, fincado bem no centro do Recife.

Em sentido horário: Palácio do Campo das Princesas, Galo da Madrugada, Cartola e Frevo

Pra aproveitar melhor a viagem: o que pode adiantar a vida do turista e o que é uma grande roubada? O turista deve ficar de olho nas estações do ano. Não tem como aproveitar Pernambuco sem o sol. Um adianto de vida é conseguir se programar pra vir no alto verão. A maior roubada, por sua vez, é vir para cá no período de chuva, entre os meses de maio e agosto, principalmente. Embora a temperatura não caia tanto, chove bastante no nosso ‘inverno’.

O carnaval de Olinda é um dos mais famosos do Brasil. Você já curtiu essa folia ? Qual a dica para quem for para lá?
O carnaval de Pernambuco é democrático. Ele acontece nas ruas, com os blocos, as troças, os desfiles e os shows. Tem frevo, maracatu, samba, axé, e até música eletrônica. No Recife, o Galo da Madrugada é o mais importante dos blocos, mas diversos outros tomam conta das ruas em proporção menor, mas nem por isso menos animados. Em Olinda, a lógica é a mesma. Quem aguenta o sobe e desce das ladeiras, chega no começo da manhã e só vai embora no final da tarde. São vários blocos, um esbarrando no outro, se encontrando nas esquinas, se fundindo e formando novos, em meio aos bonecos gigantes. Quem não aguenta, escolhe uma praia e se manda pra o litoral.

Júlia Faria

2 comentários sobre “Destino: a Veneza brasileira

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