Expira, inspira: sem medo de viajar sozinho

Todos os domingos, fazemos aqui uma seleção de imagens com um tema para que vocês, nossos queridos leitores, tenham uma inspiração para começar a semana. Hoje, esse post vai ficar um pouquinho diferente. Pois a inspiração, assim esperamos, estará em uma experiência que eu, Júlia, vivi há pouquinho tempo:

Quem já viajou para a Argentina sabe que não há presente melhor para trazer aos amigos brasileiros do que um delicioso alfajor. Eu viajei para Buenos Aires há mais ou menos um mês. Trouxe uma porção dos doces portenhos na mala e, a cada amigo que encontrei para entregar a lembrancinha e contar como foram as férias, me deparei com caras de espanto e surpresa ao contar quem foi minha companhia de viagem. Tudo porque eu fui minha companhia. Viajei sozinha. Pela primeira vez e para um lugar que não conhecia. Feito que rendeu desde um ‘tem certeza que vai fazer isso?’ – essa foi minha mãe antes de eu comprar as passagens – a muitos ‘que corajosa’ ou ‘eu nunca faria isso’ ou ‘você não teve medo?’.

Não, eu não tive medo. Quer dizer, bateu um friozinho na barriga quando eu entrei no avião e me dei conta de que estava sozinha. Mas não foi desses medos paralisantes que te fazem sentir vontade de chorar e voltar correndo para algum porto seguro. Acho que o que eu senti mesmo foi ansiedade. Ansiedade misturada com curiosidade e com uma sensação de independência que eu nunca senti igual.

Mas antes de embarcar no avião, algumas coisas que não contei. O porquê da viagem sozinha. Não foi por nenhum motivo grandioso, nenhuma empreitada de auto-conhecimento. Eu tive o mês de outubro inteirinho de férias. Nenhum amigo estava de férias no mesmo período. Nem meus pais. Eu não estava num período muito bom da vida e achei que iria enlouquecer se passasse 30 dias com a cabeça desocupada, jogada no sofá e vendo Sessão da Tarde.

Os preparativos da viagem. Não foram muitos. Decidi viajar uma semana antes de entrar de férias. Pedi dicas aos amigos que já conheciam Buenos Aires e passei um bom tempo em blogs de viagem, de gente que ama viajar sozinho e de brasileiros que vivem na Argentina. Não há muito mistério em uma viagem para a Argentina. Não é preciso passaporte e dá para se virar bem mesmo sem um espanhol de primeira. Fui já sabendo dos possíveis perigos de uma grande cidade, como pivetes e taxistas espertinhos – mas não tive problema com nenhum dos dois.

A semana em Buenos Aires. Fiquei sete dias na cidade e segui a principal orientação de todos os relatos que li sobre viajar sozinho: ficar em um hostel. Sei de muita gente que tem horror a se hospedar em albergues. Mas eles são, sem dúvida, a melhor opção para quem viaja sozinho. Sabe aquele papo de conhecer gente do mundo todo, fazer amizade e ter companhia para não precisar se aventurar sozinho à noite? Pois é. É assim mesmo. Hostel tem perrengue – eu quase tomei banho frio por não conseguir me acertar com o chuveiro e preferia tomar café da manhã na rua -, mas conheci pessoas que tornaram minha viagem mais legal.

Parece um grande clichê, mas, apesar de estar sozinha, em nenhum momento me senti só. Todos os meus dias ficaram bem ocupados pelos itens que incluí no roteiro de viagem. A cada dia em Buenos Aires, conheci um bairro diferente. Acordava cedo e saía para o destino do dia. Voltava no fim da tarde, descansava um pouco e encontrava os amigos do hostel. Nos momentos em que estava muito cansada para andar pela cidade, sentava em um café ótimo perto do albergue e aproveitava para ler ou escrever, comendo alguma delícia argentina e bebendo vinho – mais barato que beber água!

Foi só uma semana em Buenos Aires e talvez eu não tenha ficado muito tempo fora para sentir tantas saudades de casa, o que não diminui o quão boa foi a experiência. Voltei para o Brasil desejando viver tudo de novo, e de novo, e em todos os meses da vida. Para quem faz cara de espanto quando digo que viajei sozinha eu respondo com um ‘você não sabe o que está perdendo se deixou de viajar porque não tinha companhia’.

Júlia Faria

4 comentários sobre “Expira, inspira: sem medo de viajar sozinho

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  2. Pingback: Expira, inspira: 6 dicas para conhecer pessoas novas e construir sua rede de contatos | um fôlego

    • Oi, Rayza!
      Eu fiquei no Ostinatto Hostel, no bairro San Telmo. Gostei de lá porque era pertinho do Centro e dava para ir andando para a Calle Florida e a Casa Rosada, por exemplo, e também porque na rua do Ostinatto tem vários bares e restaurantes. A equipe também era legal e receptiva, e tem um bar dentro do hostel, o que ajuda a fazer amizades. Uma coisa curiosa é que eu só encontrei uma brasileira no tempo que fiquei lá, talvez por ele não ser tão balado quanto hostels como o Millhouse e o Suites Florida. É uma experiência interessante se você estiver mais interessado em conhecer gente de outras nacionalidades. Um ponto negativo é o banheiro. Não sei se melhoraram, mas os chuveiros do andar que eu fiquei eram meio caóticos e eu acabava tomando banho em outro andar.
      Volte sempre aqui no blog!
      Bjs

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