Destino: Nova Zelândia

O tempo que esse texto demorou a ficar pronto é diretamente proporcional à distância geográfica que separa o Brasil da Nova Zelândia. Digo sem medo de errar que é também diretamente proporcional ao prazer que você, caro leitor, vai sentir ao conhecer, pelos olhos do jornalista Lucas Loos, o famoso par de ilhas do sudoeste do Oceano Pacífico. Mesmo em lados opostos do globo, o país de origem do jovem de 25 anos e o que ele ‘pegou emprestado’ por dez meses, por vezes, se assemelham. Cenário famoso de filmes como ‘O Senhor dos Anéis‘ e ‘King Kong’, a Nova Zelândia, é exuberante e prova que a natureza não economizou beleza ao se formar naquela região. Além disso, brasileiros são figurinhas fáceis pelo país, que, assim como nossa terra natal, carrega entre suas principais características a hospitalidade. Uma semelhança aqui, outra ali, e aos poucos é revelado um país com possibilidades infinitas de diversãoNo meio disso tudo, Lucas ainda dá preciosas dicas para quem quer fazer uma viagem inesquecível e não cair em nenhuma furada. Difícil vai ser tirar os olhos das fotos para continuar a leitura. 

Quando você pensa em Nova Zelândia, a primeira coisa que vem à cabeça é… Aventura. Diria que aventura faz parte do espírito da coisa. Não é à toa que boa parte das atrações turísticas são relacionadas com os chamados esportes de aventura, como bungee jumping, sky diving, rafting… Fora que é um baita centro de montanhismo (o primeiro ocidental que escalou o Everest, lá pela década de 50, é da Nova Zelândia e é um herói nacional).

Você já deu algumas dicas, mas o que mais indicaria para quem busca adrenalina em uma visita ao país? Como disse, não faltam opções turísticas para buscar adrenalina. Tem bungee, rafting, salto de paraquedas. A cidade de Queenstown, na ilha sul, é considerada uma das capitais mundiais da aventura. É uma cidade com uma atmosfera bem legal, com muito turista (brasileiros, principalmente) e gente jovem. Por gosto pessoal, indico uma das centenas de trilhas que existem pelo país. A infraestrutura para o que eles chamam de tramping é fantástica.

Como você descreveria a sua experiência na Nova Zelândia? Acho complicado descrever viagens desse tipo. São muitos sentimentos, mas posso assegurar que as lembranças são as melhores possíveis. Esse país me marcou de um jeito bem positivo.

Por que você foi para a Nova Zelândia? Por quanto tempo ficou lá? Engraçado, semprei gostei da cultura polinésia. Por isso, estava em dúvida entre Austrália e Nova Zelândia. Até um amigo falar que a primeira era terra de Beach Boys e a segunda era mais Senhor dos Anéis. Pode parecer bobeira, mas essas palavras tiveram um peso e tanto na minha escolha. E vou falar: não teve um só minuto no qual me arrependi. Ah, fiquei cerca de dez meses.

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Que locais da Nova Zelândia você conheceu? Deixei de conhecer outros países, para ir de Norte a Sul (do Oiapoque ao Chuí deles). A Ilha Norte é mais urbanizada – dentro do possível para um país de quatro milhões de pessoas -, enquanto a Sul abriga aqueles belos cartões postais de montanhas nevadas. Um dica para quem quiser viajar em um estilo mais aventureiro: é da cultura local dar carona. Fiz isso e me diverti, conhecendo muita gente legal – e outras nem tanto, uma minoria. É difícil listar todos os locais, pois foram muitas cidades, mas conheci as principais.

Quem tem pouco tempo disponível, como um mês de férias, por exemplo, consegue fazer um roteiro interessante pelo país, incluindo os principais pontos turísticos e atrações? Evidentemente, só fiz tudo o que fiz pois fiquei quase dez meses, muito embora tenha concentrado minha estadia em Auckland, a maior cidade do país. Um mês, porém, é um bom tempo pra conhecer as principais atrações. Guias como Lonely Planet e um colorido da Folha (de São Paulo) são uma ajuda generosa. Também há blogs bons na internet. Sugiro passar metade do tempo em cada ilha, com uma leve preferência pelo Sul. Muita gente sai frustrada por ter ficado apenas no Norte.

Que locais um turista não pode deixar de conhecer? A Ilha Sul é fundamental para quem está em busca desse clima selvagem de cartão postal que o país oferece. A área de Queenstown, Fiordland National Park e Milford Sound é o filé do passeio. Mas tem o famoso Mount Cook, que não visitei, mas dizem ser lindo, além de um passeio de trem que corta de Leste a Oeste. Dizem ser maneiro – e caro. Tudo isso, fora a observação de baleias e golfinhos. No Norte tem a capital Wellington, muito charmosa; Rotorua, a cidade dos vulcões; o Tongariro, um vulcão clássico que é um dos picos mais populares de montanhismo (apesar de exigir um gás a mais, é bem democrático); e Auckland, a capital econômica.

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Como chegar ao país? Há alguma rota de viagem ou cidade de entrada que seja mais prática? Quando eu fui o normal era ir pela Argentina ou pelo Chile. Mas há quem dê a volta ao mundo, o que é bem mais caro. Uma vez lá, é muito tradicional a visita a países vizinhos, como a Austrália (essa é óbvia), as Ilhas Polinésias (Fiji, Samoa, Nova Caledônia…) e o sudeste asiático (Laos, Vietnã, Tailândia, Camboja, Indonésia…).

Você organizou sua viagem por conta própria ou com ajuda de alguma agência de viagens? Isso fez diferença? Fui por agência, mas me arrependi. Um mínimo de pesquisa é suficiente para fazer uma boa viagem. Como falei, há muita fonte para pesquisa. Além disso, eles ganham muito dinheiro em itens como seguro, que é muito mais barato caso você compre por conta própria. Mas também não é crime algum ir por agência.

Que cuidados você diria que é preciso ter para conhecer a Nova Zelândia sem dores de cabeça? Cabe um parêntese interessante: a Nova Zelândia é um dos países mais seguros do mundo em termos de animais peçonhentos. Enquanto a vizinha Austrália tem alguns dos bichos mais ameaçadores do planeta, a Terra dos Maoris (população aborígene da Nova Zelândia) é o oposto nesse sentido. Posso estar enganado, mas – em terra – não há um animal que ameace os turistas. Parece que o único mamífero nativo da ilha é um morcego. Em termos de burocracia, não é preciso tirar de visto para turista. Acho que quem pretende ficar até três meses no países só precisa comprovar renda no aeroporto. Nesse sentido, é bem tranquilo. Eles vivem muito de turismo e não complicam a entrada de brasileiros, que, por incrível que pareça, estão aos montes por lá. Vale lembrar que eles abrem até o work holiday visa aos brasileiros, um visto que dá direito a trabalho durante um ano a jovens de vários países do mundo. Em 2011, abria-se aos brasileiros 300 vagas em agosto. Essa informação – muito relevante – a agência não me deu.

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Enquanto pesquisava sobre o país, li muito sobre vinhos e vulcões. Esses dois itens são mesmo característicos da Nova Zelândia? Correto. Os vinhos foram meio que ‘impostos’ por lá mais recentemente. Mas, embora eu não conheça muito sobre o assunto, eles são populares entre os entendedores. Já os vulcões vêm de longa data e também levam muitos turistas ao país. O mais visitados deles, talvez, seja o Tongariro, que em 2012 até entrou em atividade. Alguns livros locais informam que uma das maiores erupções da era moderna saíram de la. Uma delas iluminou o céu de algumas áreas da China e até mesmo da Europa, segundo os registros. Rotorua, um destino muito popular da Ilha Norte, fede a enxofre.

O vinho neozelandês é realmente bom ou alguma outra bebida alcoólica faz mais sucesso por lá? Não sou muito de beber e é complicado dar informações mais precisas. Pelo que lembro, não muda muito do que é usado no Brasil.

Quanto aos vulcões, há algum ativo? É possível fazer uma visita segura? Muitos estão adormecidos, mas podem entrar em atividade, como o Tongariro, por exemplo. Esse é um dos três vulcões localizados no National Park, um dos destinos turísticos mais populares do país, situado no coração da Ilha Norte (é famoso por ter sido a área de Mordor no Senhor dos Anéis). Aliás, é cheio de avisos para cuidados necessário em caso de o vulcão entrar em atividade repentinamente. No ano passado, se não me engano, ele entrou em atividade. Antes, fora em meados da década de 90.

Também li sobre a hospitalidade dos neozelandeses. Eles são realmente receptivos? Confesso que nos meus dez meses por lá pouco tive contato com os kiwis. Mas eles não me passaram qualquer imagem antipática. De qualquer forma, o interessante é que você vai conhecer gente do mundo inteiro por aquelas bandas, e receptividade não será um problema para que visitar a Nova Zelândia.

Como é a vida noturna nas cidades da Nova Zelândia? Alguma cidade é mais movimentada à noite? Na Ilha Norte, Auckland, certamente, embora isso não signifique muita coisa. Na Ilha Sul, Queenstown, apesar de ser relativamente pequena, tem uma vida noturna relativamente agitada. Acho que para por aí.

Qual você diria que foi o ponto alto da sua viagem? As viagens pela Ilha Sul e as pessoas que conheci por lá. Acho que o fator amizade foi esse ponto alto, arrisco dizer.

Viviane da Costa

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