Expira, inspira: Glück Project

Arte de Eduardo Marinho. Peguei emprestada no Glück

Arte de Eduardo Marinho. Peguei emprestada no Glück

Acredito que algumas expressões deveriam ser abolidas do vocabulário popular. Por exemplo: ‘Eu era feliz e não sabia’. Essa frase é o contrário de tudo que poderia ajudar alguém a seguir adiante. Ela deposita em algum lugar perdido a felicidade, como se ela fosse um tíquete que só pudesse ser utilizado uma vez na vida. Em contrapartida, gostaria de ver certas ideias multiplicadas ao infinito, ideias de gente que coloca a vontade em prática e prova que sonhos – e a felicidade – só dependem de nós. É o caso do Glück Project.

Conheci o projeto dos jornalistas Karin Hueck e Fred Di Giacomo há alguns meses, no final de 2013. O mote do site – uma investigação sobre a felicidade – já é muito atraente, mas, vi no Glück mais que isso, percebi a coragem de dois jovens que largaram seus empregos em São Paulo para tentar algo diferente, percebi pessoas que encaram a felicidade como uma forma realista de viver. Sem loucuras ou ilusões, Karin e Fred estudam muito, se preocupam com dinheiro (e a falta dele) e escrevem textos deliciosos, diretamente de Berlim, para o mundo. 

karin e fred

Karin Hueck e Fred Di Giacomo

Tenho visto por aí muitos exemplos de pessoas que largaram ‘tudo’ e que são hoje muito bem sucedidas e felizes e maravilhosas e sem problemas nenhum. Acho essas histórias legais, mas sinto falta de vida nelas, como se fosse fácil largar tudo e alcançar o sucesso absoluto. Ou como se para ser feliz você precisasse obrigatoriamente largar tudo. No Glück, a felicidade investigada é mais ampla, não está relacionada apenas a dinheiro ou reconhecimento público, tem a ver com satisfação, com aceitação, com a vida real, cheia de percalços e belezas. Tudo isso teoricamente embasado, sem nada de achismos aleatórios ou opiniões vazias. Karin e Fred estão se tornando especialistas no assunto e ainda dividem o conhecimento com a gente.

Entre os posts mais legais, escolhi quatro para deixar vocês com água na boca. Vamos do mais antigo para o mais recente. No dia 20 de janeiro, a Karin escreveu sobre como ser feliz no trabalho e eu, além de refletir sobre o assunto, descobri que Franz Kafka nunca foi reconhecido em vida como escritor, e, bem, hoje em dia ele dispensa apresentações. Um pouco depois, em 27 de janeiro, o Fred publicou um post sobre como a felicidade não precisa ser mirabolante para ser genuína. O texto é muito mais completo do que a explicação que eu dei, mas não posso contar muito para não estragar a surpresa e o prazer da leitura, a única coisa que eu digo é que o Mc Donald’s poderia ter tido um destino totalmente diferente do que teve. Em 11 de fevereiro, Karin de novo, dessa vez, sobre a importância de levar a felicidade a sério e não deixar que ela dependa de fatores externos. Tenho apreço especial a esse texto,  principalmente, por causa disso:

‘Eu nunca vou acreditar que a infância é a nossa fase mais feliz. Que presságio ruim para a nossa raça e o destino individual, se os nossos anos mais maduros forem também os mais infelizes. A infância só parece feliz em retrospecto: para a criança, ela é cheia de tristezas e medos do desconhecido. Tudo isso só prova que somos hoje mais felizes do que quando tínhamos sete anos, e que seremos mais felizes aos 40 do que agora. É isso que eu chamo de uma teoria boa, e uma que merece ser vivida!

A  reflexão acima é do escritor inglês George Eliot, feita quando ele tinha 25 (!) anos de idade. Ele, que, na verdade, era Mary Anne Evans, uma mulher que fingia ser homem para poder escrever livremente e ser feliz assim. Para terminar, Fred, em 24 de fevereiro, é honesto e faz rir com suas histórias ‘anti-Facebook’. O que aprendi nesse? Uma bela citação de Fernando Pessoa, que abre o post. Não conhecia e adorei!

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Se você é jovem (não de idade, mas de espírito), gosta de aprender e se inspirar, está perdendo tempo aqui no blog. Corra já para o Glück Project, espalhe a novidade por aí e colabore para que ela continue dando certo. 

Viviane da Costa

3 comentários sobre “Expira, inspira: Glück Project

  1. Pingback: Expira, inspira: papa Francisco dá 10 dicas para a felicidade | um fôlego

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