Melhor do Rio: Lapa

Lembro-me bem de quando a Lapa começou a recuperar, em meados dos anos 2000, a denominação, que sempre foi sua por direito, de berço da boemia carioca. Antes da tão falada revitalização do bairro, era comum ouvir entre uma roda e outra de bate-papo comentários depreciativos sobre a região. A má conservação, o aumento dos índices de violência e a falta de investimentos públicos e privados afastaram os frequentadores. Hoje em dia, a área não vive seu melhor momento, mas ainda tem opções interessantes para quem quer curtir a noite no Rio de Janeiro.

Depois dos Arcos da Lapa, símbolos incontestes do bairro, o Circo Voador e a Fundição Progresso são os principais ícones do bairro. O primeiro foi reaberto há dez anos (o tempo voa!), depois que a produtora Maria Juçá conquistou na Justiça o direito de retomar as atividades do espaço, fechado em 1992 pelo então prefeito César Maia. O Circo precisou ser reconstruído pela prefeitura quase uma década depois do seu fechamento para, então, ser devolvido ao público. O espaço é um dos mais incríveis para shows na cidade, graças à aura única da nave, que nasceu nas areias do Arpoador, em 1982, antes de se fixar no coração do Rio. O Circo não é grandioso nem uma referência de conforto e qualidade técnica, mas, ainda assim, é quase uma entidade. São tantas as histórias guardadas debaixo daquela lona, que, juntas, elas renderam um livro, lançado nesse mês por Juçá: Circo Voador – A nave. Se você ainda não conhece, ou mesmo se quer matar a saudade, vale conferir a agenda aqui. Ainda nesse mês tem Nando Reis. É uma boa pedida.

A Fundição Progresso também tem um período conturbado em sua história, assim como o Circo Voador. A Fundição, como o Circo, não é nenhum exemplo de acomodação ou estrutura. Da mesma forma que o Circo Voador, o palco da Fundição Progresso é mítico. O espaço, que já foi uma fábrica de fogões, foi ocupado por agitadores culturais em 1982, mesmo ano da criação do Circo. Em meados dos anos 1990, quase na mesma época em que começou a crise no vizinho, a Fundição se afundou em dívidas, para voltar, renovada, um pouco depois do Circo, em 2010. A casa recebe shows e festas para diferentes públicos, que se espremem na plateia, sob ventiladores gigantescos, ao som de samba, pop, rock, funk, forró, o que rolar. A programação confirma o jeitão eclético: nos próximos meses, passam pela Fundição Maria Rita, Racionais MC’s, Thirty Seconds to Mars, entre outros. Tanto a Fundição quanto o Circo vendem meia entrada para quem leva um quilo de alimento não perecível.

Descendo a Avenida Mem de Sá, uma das mais importantes da Lapa, sobram opções de casas de shows e restaurantes. Para facilitar a sua vida, nós dividimos em categorias os locais que nós conhecemos e aprovamos. A cada um deles, um curto comentário, para ajudar na escolha.

PARA BEBER

Arco-Íris da Lapa. São duas unidades. A matriz foi fundada em 1960 e fica na Mem de Sá, 72. A filial, de 2007, na rua do Riachuelo. Bar ideal para quem vai em grupo e curte beber na rua, conversando, em pé mesmo, antes de ir para alguma festa.

Belmonte. Na esquina da Mem de Sá com a Lavradio, o bar, um legítimo ‘pé-limpo’, tem mesinhas na calçada para quem gosta de estar perto do movimento, observando o vai e vem, e também um bom espaço interno para quem procura um pouco mais de tranquilidade para degustar os saborosos petiscos da casa.

Bar da boa. Na esquina contrária ao Belmonte, a promessa – cumprida – é de chope gelado a noite inteira, com direito a música ao vivo. A casa tem um segundo andar para shows.

PARA SAMBAR

Brazooka. Com três andares, a choperia, que fica na Mem de Sá, 70, tem sempre um grupo de samba se apresentando ao vivo. Grande, a casa é legal para comemorações por ter um salão amplo do terceiro andar, com mesas, e mais distante da música. Embaixo fica quem quer suar e mostrar que tem samba no pé. Os sanduíches são deliciosos. 

Café Cultural Sacrilégio. Casarão charmoso localizado na Mem de Sá, 81, o Sacrilégio tem três ambientes. Uma espécie de sala na frente da casa, onde fica a banda, e com pista de dança; uma área aberta com mesas para quem quer comer e beber com calma; e um espaço fechado no segundo andar, com DJ que toca hits dançantes.

Lapa 40º. Também com três andares, o espaço em show ao vivo no terceiro andar durante a madrugada. Na parte de baixo, mesas de sinuca e um clima mais intimista para quem quer aproveitar com amigos. Fica na rua do Riachuelo, 97.

Parada da Lapa. Do lado da Fundição, na rua dos Arcos, o Parada da Lapa pode até ter atrações ecléticas, mas a noite sempre acaba em samba. Como abre mais cedo, a casa é uma boa opção para quem não gosta de esperar para aproveitar a sexta-feira.

Rio Scenarium. Localizado na rua do Lavradio, 20, o Rio Scenarium impressiona por dentro, afinal, durante a semana, funciona ali um antiquário. Nos fins de semana, artistas que tocam samba, MPB, forró e choro assumem o local e animam a noite. A entrada costuma ser um pouco mais cara que a média da região, mas o investimento é válido, ao menos para conhecer. Dica: não se deixe levar pelas moças que desfilam (com dificuldades) de salto alto pelos paralelepípedos que ficam em frente à casa. Os sapatos, embora lindos, são totalmente desconfortáveis e desnecessários lá dentro. Vá pronta para se acabar de dançar.

PARA DANÇAR OUTROS RITMOS

Teatro Odisseia. Sou fã de carteirinha do local, coleciono histórias e até um tombo em pleno aniversário. Gosto da casa em si, que tem três andares, e do clima menos boêmio. Acho interessante existir um espaço assim no meio da Lapa. Importante: o que faz a noite no Teatro Odisseia (Mem de Sá, 66) é a festa do dia, por isso, é fundamental ficar de olho na programação. Em geral, as atrações são mais focadas em rock e pop.

La Esquina. Vizinha ao Odisseia, a casa é voltada para o público que curte rock. O bom humor é a marca registrada na Mem de Sá, 82.

PARA COMER

Nova Capela. Morar no Rio, ou mesmo estar aqui de visita, e não conhecer esse restaurante é uma afronta a si próprio. Fundado em 1923, o Nova Capela ganhou o “Nova” no nome no anos 60, quando mudou de endereço. O anterior já era na Lapa. As paredes da casa, cobertas de fotos e cartazes antigos são incríveis. E a comida, claro, não poderia ser diferente. O bolinho de bacalhau é pedida obrigatória na entrada. Para o prato principal, há opções tradicionais, como o filé à Oswaldo Aranha, e também iguarias não tão comuns, como javali assado e leitão. Anote o endereço: Mem de Sá, 98. Vale preparar o bolso.

Barzinho. Sobre esse, que fica na rua do Lavradio, 170, nós já falamos detalhadamente aqui. O cardápio de comidas e bebidas é um dos principais atrativos. Depois de meia-noite, saem as mesas e abre-se a pista de dança. Como o local não é muito grande, vale a pena chegar cedo para jantar e depois curtir a música, que varia de acordo com o DJ da noite.

Bonde sucos. Melhor lugar para terminar a noite. Fazer uma parada na Mem de Sá, 47, antes de ir para casa, é fundamental para espantar qualquer possibilidade de ressaca no dia seguinte. Garantia de estômago muito bem forrado com salgados, doces e sucos preparados na hora.

A Lapa tem muito charme durante o dia também, principalmente, no primeiro sábado de cada mês, quando acontece a Feira do Rio Antigo, na rua do Lavradio. Antiquários abrem suas portas, restaurantes perfumam a rua com suas feijoadas, artistas capricham no chorinho e barracas de tudo quanto é tipo de produto enfeitiçam quem passa. É muito difícil sair com as mãos abanando, mas isso é papo para outro texto. Até lá!

Viviane da Costa

Um comentário sobre “Melhor do Rio: Lapa

  1. Pingback: Melhor do Rio: dia de compras e fotos na Feira do Rio Antigo | um fôlego

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