Nós vimos: The Rover – A Caçada

“The Rover – A Caçada”, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, foi uma das melhores surpresas que tive no Festival de Cannes este ano. Já aviso, o filme é bem violento, tenso e com ritmo lento. Não é todo mundo que vai gostar. Mas eu gostei e gostei bem mais do que esperava.

O diretor é o australiano David Michôd, o mesmo de Reino Animal (Animal Kingdom), que foi um super sucesso de crítica em 2011 e eu achei bem mais ou menos. The Rover, então, era o tão aguardado longa que ia suceder Reino Animal e todos os jornalistas em Cannes se perguntavam se Michôd conseguiria se superar. Minhas expectativas já estavam baixas. Quando descobri que um dos personagens principais era interpretado por ninguém menos que Robert Pattinson – sim, o vampiro que brilha – aí mesmo que minhas expectativas eram quase nulas.

Mas as críticas começaram a sair e foram, em sua maioria, positivas. O personagem principal é interpretado por Guy Pearce, que eu amo de paixão. E, em uma das melhores lembranças que eu levo do festival, aos 45 do segundo tempo, um anjo caído do céu me entregou um ingresso para a premiere. Era um sinal, eu precisava ver esse filme.

Quando saí da exibição fiquei chocada por um tempo, angustiada mais um pouco e até um tanto assustada, mas depois de uns dois dias refletindo decidi que The Rover é muito melhor que Reino Animal. Não vou entregar muito da história porque não quero estragar, mas o filme se passa num futuro não muito distante, em que o mundo passou por um grande colapso econômico e poucos homens sobraram. E os que sobraram vivem nas piores condições possíveis. As relações humanas também são praticamente inexistentes. É um mundo sem regras. Eu disse, é bem pessimista. Neste cenário sombrio, triste e vazio, com uma das fotografias mais bonitas que eu vi este ano, um homem solitário chamado Eric (Guy Pearce quase irreconhecível e totalmente assustador) tem seu carro roubado.

Eric é um homem de pouquíssimas palavras que decide sair em busca dos ladrões para recuperar o automóvel. No meio do caminho encontra Rey (Robert Pattinson mostrando que sabe atuar), irmão dos bandidos que fora abandonado, e o captura como moeda de troca. Como diz o cartaz do filme, Eric não tem nada a perder e ele não vai parar enquanto não encontrar seu carro.

Parece uma premissa bem simples, mas o filme é uma ótima representação do fundo do poço que a humanidade pode chegar. E não é nada difícil de imaginar. Neste mundo, todos têm armas e não têm medo de usá-las. É um retrato do desespero, da falta de compaixão e do egoísmo que o ser humano é capaz.

O final é surpreendente (pelo menos foi para mim) e dá ao filme um novo significado. As atuações são muito impressionantes e os sons chegam a dar calafrios. O longa propõe uma bela reflexão de até que ponto nossa sociedade pode ir – e não é nada bonito.

Luiza Canetti

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