Melhor do Rio: Gávea

Sou tijucana convicta, daquelas que podem ficar horas defendendo o bairro, mas devo confessar que meu coração balançou, deu pulinhos e se encheu de borboletas (não, elas não ficam no estômago) na primeira vez em que eu fui à Gávea. Sim, eu lembro exatamente como foi: uma mistura de surpresa e encantamento. Em um cantinho do Rio, descobri ruas estreitas de paralelepípedos (as mais fofas e adoráveis), decoradas por casas tradicionais e muito verde. Prédios enormes e modernos? Sim, a Gávea tem. Trânsito infernal? Também. Defeitos não faltam. Mas o que você leva em conta quando se apaixona? O lado bom, não é mesmo? E é isso que eu vou dividir com vocês hoje.

Durante quatro anos da minha vida é possível que eu tenha passado mais tempo na Gávea, graças às aulas na faculdade, do que na minha própria casa. É verdade que em termos de espaço geográfico a Gávea não é um grande mistério. O bairro começa na praça Santos Dumont, logo depois do Jardim Botânico, termina ali pelo Parque da Cidade, quase chegando à Rocinha, e a principal rua é a Marquês de São Vicente, que vai de uma ponta a outra. Mas, apesar de relativamente pequeno, o bairro é cheio de atrações. Tantas que, suspeito, farão esse post ficar um pouquinho robusto (e muito útil e divertido, prometo). ;-)

Começando de trás para frente, sugiro uma tarde inteira de visita ao Instituto Moreira Salles, de preferência com um guia, para conhecer todos os detalhes do antigo casarão da família Moreira Salles, que hoje é um centro cultural. Um dos mais lindos da cidade, aliás. ‘Culpa’, em grande parte, de Burle Marx, paisagista responsável pelos jardins e pelo famoso painel de azulejos que enriquecem a área externa da casa. O IMS recebe sempre boas exposições, além de ter sessões temáticas de cinema. Isso mesmo, os Moreira Salles tinham uma sala de cinema dentro de casa. Aliás, lembre-se sempre disso quando estiver lá dentro: tudo aquilo foi, um dia, residência de uma família. O passeio vai ficar ainda mais empolgante, garanto. A entrada é gratuita e tem estacionamento no local. De metrô também é fácil de chegar, após uma rápida caminhada. Dentro do IMS funciona um café gracioso, perfeito para encerrar o dia.

Descendo a Marquês de São Vicente, você chega até a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC. Entre 2007 e 2010, quando estudei lá, pelo menos dez mil pessoas passavam diariamente pelo campus. É o mesmo que a população de muitas cidades pequenas. Acho que esse número ajuda a dar uma dimensão de tudo o que você pode conhecer passeando lá dentro. As pontes que passam sobre o rio que corta a universidade, a igreja com painéis de Cândido Portinari, a biblioteca gigantesca, organizada e silenciosa: esses são os itens obrigatórios da minha lista de indicações. O resto é por sua conta.

Na calçada oposta à PUC, ainda na Marquês, há diversas lojinhas que merecem uma garimpada. A parada obrigatória é na UrbanArts, galeria de arte que reúne trabalhos de diversos artistas, cheios de referências pop e muita cor. Há de quadros a ímãs de geladeira. Sobra personalidade às peças e é difícil sair de mãos vazias. A Gávea, aliás, é uma região prolífica em galerias de arte. Algumas delas são: Silvia Cintra, Mercedes Viegas e Anita Schwartz.

Em matéria de comida, uma das preciosidades do bairro fica na Rua Professor Manuel Ferreira, a Da Casa da Táta. Você realmente vai se sentir em casa nesse restaurante. Seja pela comida caseira fresquinha, seja pela decoração de madeira, com detalhes bem pessoais, como fotos, dos donos do local. O sanduíche de croissant com recheio de queijo minas combina muito bem com o chocolate quente, ainda mais nesse frio. Há ainda opções de omeletes e saladas. Indispensável mesmo é o bolo formigueiro. E o café da manhã de lá foi eleito ontem o melhor do Rio, pelo prêmio Rio Show. Opinião de especialista vale mais?

No Shopping da Gávea – e nos arredores – há boas opções de restaurantes mais conhecidos, como Balada Mix, Delírio Tropical, D.R.I., Gula Gula e Batata Inglesa. E também, outros que você vai adorar conhecer. O Garden Bistrô, por exemplo, é vegetariano e ainda tem opções deliciosas para quem gosta de carne. O Origami, como o nome denuncia, é japonês, mas também serve a quem não gosta da culinária oriental, com saborosos pratos quentes. Indico o atum na chapa, disponível sempre no cardápio, ou o prato executivo de filet mignon com rolinho primavera de legumes, oferecido durante a semana, na hora do almoço.

Embora indicar passeios a shoppings não pareça muito interessante ou diferente do que você pode fazer em qualquer outro bairro, cidade ou país do mundo, há mais um bom motivo para continuar no Shopping da Gávea: os teatros. São quatro, ao todo. Todos pequenos e aconchegantes. As peças em cartaz, claro, variam. Vale a pena ficar de olho nas programações. Já tive boas surpresas por lá.

Para encerrar, o BG. Também conhecido como Baixo Gávea. Todo dia é dia e toda hora é hora de estar por ali, na praça Santos Dumont. Almoço no Garota da Gávea, jantar no Braseiro e chopp sempre, em qualquer bar da região. Às quintas, sextas e sábados o BG ferve. As ruas ficam cheias de pessoas e de animação. Jovens de todas as idades se reúnem nas calçadas para conversar e flertar. Mesmo que você não beba, é melhor deixar o carro em casa. O estacionamento na rua é complicado. Mas, o clima é tão leve que a satisfação, falo por experiência própria, é garantida.

Viviane da Costa

2 comentários sobre “Melhor do Rio: Gávea

  1. Adorei saber que o Urban Arts é na Marquês! Só conhecia da internet, nem sabia que tinha loja física. Mas o “Um Fôlego” sabe de tudo! ;) Vou dar um pulinho lá, minhas paredes estão sofridas… rs

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