Expira, inspira: FOMO, JOMO e MOMO

As siglas que dão título ao post de hoje bem que poderiam ser marcas de sabão em pó, mas, como você deve saber, elas, na verdade, se referem a fenômenos sociais típicos da atual geração, a nossa, a YFOMO, JOMO e MOMO têm ligação estreita entre si e com a forma como os jovens na casa dos 20 anos lidam como a ansiedade em relação ao que acontece no mundo – real e, principalmente, virtual.

FOMO, o fenômeno mais antigo e conhecido, surgiu há uns três ou quatro anos, é difícil precisar, e já se consagrou entre os estudiosos da juventude que cresce conectada. Hoje em dia, é bastante fácil encontrar na internet artigos que explicam o que é FOMO, que dão dicas de como lidar com isso e que fazem reflexões aprofundadas sobre como o fenômeno pode representar a geração. O JOMO e o MOMO são relativamente novos – Quanto tempo dura o novo atualmente? – e começaram a ser discutidos, basicamente, em 2014 mesmo. Para esclarecer as suas e as nossas dúvidas, montamos um pequeno dicionário explicando cada um desses termos.

Amaia Arrazola / Pinterest

FOMO – Fear of missing out. Desde que o mundo é mundo os seres humanos sabem que fazer uma escolha significa também fazer uma renúncia. Portanto, desde que o mundo é mundo, seres humanos são obrigados a lidar com o fato de que não é possível estar em todos os lugares em todos os momentos. Mas, a vida digital fez surgir nos seres humanos uma ansiedade intensa por não conseguir acompanhar tudo o que desejam. Essa característica virou fenômeno, chamado de FOMO, que, em português, significa ‘medo de estar perdendo algo‘.

Lembro-me bem de quando criei minha conta no Facebook, em 2008, e achei que se tratava apenas de uma rede social com joguinhos muito divertidos. Seis anos depois, muita coisa mudou. Até o Orkut, que era sensação naquela época, acabou. Hoje, o Facebook e várias outras redes sociais, como o Twitter e o Instagram, por exemplo, viraram extensões das vidas das pessoas. Os joguinhos continuam lá, mas o ‘importante’ mesmo é compartilhar informações sobre você com os ‘amigos’: a festa, o jantar, o presente, o pedido de casamento, o nascimento do bebê, o emprego novo, as férias, o máximo de evidências que provem que a vida é maravilhosa. Com isso, cresceu entre os jovens a sensação de que a grama do vizinho é sempre mais verde e de que ficar em casa comendo pipoca no sofá em uma noite chuvosa não era uma ideia tão boa diante das inúmeras ofertas exibidas por seus amigos nas mais diversas timelines. Além de ficarem loucas por atualizações, para descobrir o que os outros estavam fazendo, as pessoas começaram a ficar apavoradas por pensar que poderiam ter feito escolhas erradas para as próprias vidas.

Com o tempo, os debates sobre o FOMO foram amadurecendo e ganhando novos pontos de vista. Alguns usuários de redes sociais caíram na real e perceberam que equilíbrio era necessário. Outros, partiram para o radicalismo e se desconectaram durante um tempo, como uma forma de desintoxicação. O fenômeno ainda existe, claro, mas parece estar um pouco mais sob controle.

jomo

JOMO – Joy of missing out. Conheci nesse post da Fê Neute o ‘prazer de estar perdendo algo‘. No texto, ela narra uma experiência própria que a fez perceber uma mudança de prioridades na vida. A Fê conta como substituiu a ânsia de parecer ser algo – e fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora – pela vontade de ser o que ela queria e pronto. Isso não tem a ver, necessariamente, com abandonar as redes sociais ou se isolar do mundo virtual. Na verdade, passa mais pela noção de que não é preciso se encaixar nos padrões do que é supostamente cool para ter uma vida legal e interessante. Naturalmente, você deixa de lado o que está sendo publicado no mundo virtual – e a ansiedade para mostrar o que está fazendo – para curtir o que acontece de verdade, o que te dá prazer aqui e agora.

Daniela Dahf Henríquez / Flickr

MOMO – Mystery of missing out. Já entendemos que toda ação causa uma reação. Foi assim com o JOMO, após o FOMO. Então, agora, surgiu o MOMO, descrito nessa matéria do The Telegraph como uma paranoia, que nasce, justamente, quando as pessoas param de publicar na redes sociais cada momento da vida delas. A vítima do MOMO começa a imaginar tudo de interessante que os amigos podem estar fazendo e cria teorias para tentar entender porque ela não faz parte desses momentos. De acordo com Terri Apter, psicólogo da Universidade de Cambridge, o MOMO é uma espécie de evolução do que sentimos no jardim de infância: o medo de ser excluído. Ele diz ainda que nós precisamos nos sentir parte da cultura dos nossos pares, por isso, precisamos de informação. Portanto, se existe um movimento que faz com que as pessoas deixem de lado as redes sociais, como é o caso do JOMO, é possível que aqueles mais ansiosos e inseguros entrem em pânico por não estar acompanhando o que está acontecendo.

Confesso que essa ideia do MOMO ainda me assusta um pouco e que não consigo identificar em mim ou nos meus amigos mais próximos características típicas desse fenômeno. Acho que transitamos entre o FOMO e o JOMO, ainda encontrando nossos próprios caminhos e prioridades. Eu, pessoalmente, deletei do meu celular há alguns meses o aplicativo do Facebook e não deixo minha conta sempre logada no computador do trabalho. Até agora, estou vivendo bem e feliz com menos acessos e menos volume de informação sobre a vida dos outros. Não pretendo voltar tão cedo a alimentar o bichinho do FOMO que vive escondido em algum canto dentro de mim.

Viviane da Costa

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