Minhas aventuras na Colômbia – parte 2

Vamos embora para Bogotá, convida Criolo – e eu super recomendo a música do rapper paulista para embalar a leitura desse post. Semana passada, contei aqui como fui parar na Colômbia. Agora é a vez de falar sobre meu roteiro de viagem pela capital colombiana. Bogotá é a maior e mais populosa cidade do país. Fiquei quatro dias por lá. É tempo suficiente para conhecer os pontos turísticos se você é do tipo que faz tudo rapidinho. Eu gosto mais de entrar no clima do lugar, andar sem um roteiro muito apertado e, por isso, confesso que fui embora desejando ficar e aproveitar um pouquinho mais. A capital é cercada por montanhas e está a cerca de 2600 metros acima do nível do mar. A temperatura varia entre 10° e 18°, e chove bastante. O dia pode amanhecer ensolarado e cair uma chuva à tarde, pode amanhecer chovendo e ficar seco à noite. Por isso, a primeira dica para aproveitar a cidade é: não se intimide com a chuva e o tempo nublado e tenha sempre um guarda-chuva por perto.

À primeira vista, Bogotá não tem nada demais e pode até parecer meio feiosa. Para mim, essa opinião começa a mudar quando se chega ao histórico bairro da Candelária. Considerado o reduto boêmio e intelectual da cidade, o bairro reúne universidades, museus e prédios oficiais. Por lá, muitas ruas de ladeira – é a região que mais vai se aproximando das montanhas – e paralelepípedos, casas coloridas, casarões de séculos passados e igrejas. Caminhar pelas ruas da Candelária já é em si um programa turístico. Dá para se perder e, ao mesmo tempo, encontrar restaurantes e prédios com arquitetura charmosa. É também no bairro que fica a maioria das atrações turísticas da cidade. Minhas preferidas:

Cerro Monserrate – A montanha que fica nos limites da Candelária é imperdível. No alto da colina, a mais de 3 mil metros de altitude, fica um santuário construído em 1967 e que é ponto de peregrinação para os católicos. Não visitá-lo é tipo vir ao Rio e não conhecer o Cristo Redentor. Dá para chegar ao alto do cerro caminhando por uma trilha de cerca de uma hora, teleférico ou funicular, que é uma espécie de trenzinho. Lá em cima, além do santuário, tem uma via crúcis, alguns restaurantes, lojinhas para comprar lembranças de viagem e uma vista linda de Bogotá. Eu subi o cerro de funicular em um final de tarde meio nublado, já achando que não conseguiria ver muita coisa. Para minha surpresa, assisti a um pôr do sol de tirar o fôlego. O lugar é bem calmo e dá uma sensação de paz incrível ficar olhando a cidade pequenininha lá do alto. Dizem ser uma experiência ótima também esperar anoitecer e ver Bogotá toda iluminada. Eu tive que passar essa porque estava muito frio e nem as minhas três camadas de roupa estavam dando conta de me deixar confortável com a temperatura. Por causa da altitude, algumas pessoas podem sentir cansaço e enjoo, o que dizem ser facilmente resolvido mascando folha de coca. Como não senti nenhum efeito da altitude, não provei a folha de coca para garantir que dá certo.

* É só clicar nas fotos para elas ficarem maiores.

Praça Simon Bolívar – Ou Praça dos Pombos. Brincadeira! O segundo nome não existe, porém, seria bem apropriado. A praça é cheia de pombos. As pessoas alimentam e posam para fotos com eles pousados nos braços, bem curioso. Além dos pombos, você também encontra lhamas – dá para tirar fotos com elas, mas tem que pagar – e, claro, uma estátua de Simon Bolívar. Ao redor da praça, prédios importantes, como o Congresso da República, o Palácio da Justiça, a Catedral Primaz da Colômbia e o Palácio Liévano. Por ali fica também um ponto de informações turísticas, de onde sai diariamente um tour guiado, de graça e bem legal pelo centro da cidade.

Praça Chorro de Quevedo – É considerada o ponto de fundação de Bogotá, onde foram construídas as primeiras habitações da cidade. Hoje, é rodeada por cafés e restaurantes. Está sempre cheia de jovens e estudantes sentados conversando ou bebendo cerveja.

Museu do Ouro, Museu Botero e Centro Cultural Gabriel García Marquez – O acervo do Museu do Ouro é um dos maiores do mundo e guarda tesouros das civilizações pré-hispânicas. Dá para fazer visita com guia ou com audioguias, por fone de ouvido. Os guias deixam você ver nas mãos réplicas de algumas peças, entretanto, com eles, a visita dura pelo menos uma hora. O Museu Botero reúne obras de Fernando Botero, pintor e escultor mais famoso da Colômbia. Sua arte retrata o corpo humano, frutas e paisagens de forma bem volumosa e arrredondada. Já o Centro Cultural Gabriel García Marquez não tem programação fixa. Vale a visita pela arquitetura moderna do prédio e também pela vista da cidade.

Por concentrar os pontos turísticos, a Candelária é uma ótima opção para se hospedar, tanto que a maior parte dos hotéis e hostels fica por lá. Eu fiquei no Cranky Croc Hostel, que ganhou meu coração por ter o melhor chuveiro de albergue que eu já vi – sim, eu me vendo por água quente e no frio de Bogotá era uma delícia ver fumacinha saindo do chuveiro. O clima do hostel também é ótimo, a equipe é atenciosa e tem atividades para integrar os hóspedes, como um passeio até a famosa boate Andrés Carnes de Rés, que fica na cidade de Chía, a alguns quilômetros de Bogotá. Mistura de bar, restaurante e boate, o Andrés Carnes de Rés tem quatro andares e é super badalado. Não conheci porque o tour do hostel era na véspera do meu voo cedinho para Cartagena e eu fiquei com medo de perder a hora. Minha night em Bogotá foi no dia anterior em uma boate bem local e diferente chamada Mi Tierra, no bairro Chapinero. Você entra por uma portinha que passa quase despercebida, atravessa um corredor e chega em um espaço com uma decoração muito original. O ‘diferente’ fica por conta das apresentações de artistas locais e da empolgação das pessoas com as músicas colombianas – muito reggaeton, salsa e lembra da dança do carrapicho-bate forte o tambor-eu quero é tic tic tic ta? Essa música é sucesso ainda hoje na Colômbia e é muito engraçado ver o quanto as pessoas se divertem com ela.

Fora de Bogotá, um passeio que toma todo um dia, mas vale muito a pena é conhecer Zipaquirá e a famosa Catedral de Sal colombiana. A cidade, a 50 km de Bogotá, tem cerca de 100 mil habitantes. A Catedral, considerada a Primeira Maravilha da Colômbia, fica 180 metros abaixo da terra, dentro de uma mina de sal desativada. Na entrada da mina são vendidas várias opções de passeio. A que eu fiz incluía um tour guiado por uma via crúcis construída a partir das pedras de sal até o altar da igreja e chamada ‘rota do mineiro’, em que você vive a experiência de ser um… mineiro, com direito aqueles chapéus de operário com lanterna, explosões de mentirinha e escavação com picareta – e aí é hora de ouvir gracinha do guia quando os brasileiros do grupo são identificados porque picareta em espanhol se chama pica ;).

E agora um momento desabafo: estou quase derramando lágrimas de saudade enquanto lembro de Bogotá. Eu voei para Cartagena em um domingo de manhã, era um dia chuvoso e eu poderia ter mil motivos para querer estar em uma cidade ensolarada, como seria meu próximo destino. Porém, só conseguia pensar em como não tinha planejado bem a viagem ou em como deveria ter reservado mais alguns dias para Bogotá. Tanto que já tenho praticamente roteiro pronto para uma próxima viagem à capital colombiana – com tempo maior para aproveitar o clima charmoso das ruas da Candelária, fazer a trilha até o Cerro Monserrate e ver a cidade iluminada lá do alto, ouvir mais reggaeton (não me julguem), e também para andar de bicicleta em uma das tradicionais ciclorutas, visitar o Parque Bolívar, conhecer a Zona T ou Zona Rosa, bairro ‘rico’ que concentra bares e shoppings, e a feirinha de domingo em Usaquén. (Insiram um suspiro aqui. :))

No próximo post, dos três casacos para o biquíni: a romântica e quente Cartagena das Índias.

Júlia Faria

3 comentários sobre “Minhas aventuras na Colômbia – parte 2

  1. Excelente Texto Julia! Parabéns… Especialmente pois passamos em momentos um pouco diferentes nos mesmos lugares. deu vontade de voltar pra lá! bjs. Roberto (do hostel de Cartagena)

  2. Pingback: Minhas aventuras na Colômbia – parte 3 | um fôlego

  3. excelente, gostaria de saber se podemos levar bebidas energeticas na mala do aviao, pois tenho que enviar para bogota, algumas unidades para ser degustado, voce pode me informar, ou mesmo mandar pela empresa via carga

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