Tudo sobre o filme Rio, Eu Te Amo

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Praia, futebol, miséria, samba, caipirinha, favela, religião, amor, contradição. Muitas coisas vêm à cabeça quando pensamos no Rio de Janeiro e estreia nesta semana um filme que conseguiu captar tudo isso e mais um pouco. O Um fôlego teve a oportunidade de conferir o longa e a coletiva de imprensa nesta segunda-feira e vamos contar tudo para vocês.

Rio, Eu Te Amo é o terceiro da série “Cities of Love” e mantém o formato dos predecessores New York, I Love You (2008) e Paris, Je T’aime (2006): diferentes curtas se entrelaçam para montar um retrato da vida em cada cidade. Para isso, todos os elementos são essenciais. Os sons, as paisagens, as pessoas, as cores, os sabores, o movimento.

O filme conta com diretores e atores brasileiros e estrangeiros para dar vida à cidade maravilhosa. Nomes de peso como Fernando Meirelles, Carlos Saldanha, Andrucha Waddington, Paolo Sorrentino e José Padilha dirigem um elenco do mesmo calibre – Wagner Moura, Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Harvey Keitel, Emily Mortimer e muitos outros. Segundo o produtor Pedro Buarque de Hollanda, foi importante escolher diretores de países bem distantes para ter olhares distintos sobre o Rio.

É impossível não se apaixonar de cara logo com a primeira imagem na telona do relevo do Rio que vai sendo explorado lentamente. O filme começa forte já apresentando alguns dos personagens que veremos ao longo das quase duas horas de duração. Perde um pouco do ritmo e fica um pouco cansativo no meio, mas recupera toda a força nos últimos curtas.

“Dona Fulana”, de Andrucha Waddington, conta a história de uma moradora de rua (Fernanda Montenegro) que optou por esse estilo de vida porque ama a cidade do Rio e tenta explicar isso ao neto (Eduardo Sterblitch). O segmento é divertido, tocante e nos faz refletir. “É uma maneira libertária de viver a vida. É uma história de amor da mulher com a cidade”, explicou Waddington. A trilha sonora de Chico Buarque também dá um significado ainda mais especial ao curta. O enredo foi inspirado numa história que Waddington ouviu certa vez em um bar há mais de 10 anos. “São as histórias que escolhem a gente”, disse o diretor.

Talvez o meu preferido seja “A Musa”, de Fernando Meirelles. Sem nenhuma fala, o segmento retrata Copacabana em todas as suas cores e seus sons. É a história de um escultor de areia (Vincent Cassel) que busca inspiração no famoso calçadão, que é o verdadeiro personagem principal. O trabalho sonoro é impecável e cheio de significado e o visual é delicioso. É Copacabana vista de um ângulo diferente com um ritmo único, algo extremamente difícil de se alcançar, mas realizado brilhantemente.

“Pas de Deux”, o primeiro filme sem ser de animação de Carlos Saldanha, traz Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer como um casal de bailarinos que passa por uma crise quando um deles recebe uma proposta para ir para o exterior. O curta é visualmente deslumbrante e Saldanha faz um jogo de sombras de tirar o fôlego no palco do icônico Theatro Municipal, que Saldanha chamou de uma “caixa de jóias”. Por meio da dança o casal discute a relação, transferindo todos os sentimentos para a coreografia, que ganha uma força catártica e uma expressividade emocionante.

Outro curta delicioso é “Milagre”, da libanesa Nadine Labaki, em que Harvey Keitel interpreta um famoso ator que está no Rio a trabalho e precisa usar um telefone público, mas um menino de 6 anos diz que está esperando uma ligação importante de ninguém menos que Jesus. Ele é interpretado pelo pequeno porém já hilário Cauã Antunes, que infelizmente ficou tímido e não quis falar na coletiva de imprensa. É um dos curtas mais engraçados mas também consegue abordar diversos assuntos sérios. Junta o futebol, a religião, as dificuldades e a esperança do povo brasileiro. Nada mais carioca. Labaki contou que só havia vindo ao Rio uma vez antes de gravar, mas que tinha achado a cultura e o comportamento muito parecidos com os do seu país e por isso se sentiu confortável para contar essa história.

O polêmico “Inútil Paisagem”, de José Padilha, estrelado por Wagner Moura, que chegou a ser vetado pela Arquidiocese, também é ótimo. É um desabafo em nome de todos os cariocas que vivem em um conflito interno por viver em uma cidade tão linda e alegre mas ao mesmo tempo tão problemática e violenta.

O curta “Acho que estou apaixonado” é uma verdadeira declaração de amor ao Rio e aos seus poderes apaixonantes. Marcelo Serrado é um motorista particular responsável por um famoso e mau-humorado ator australiano interpretado por Ryan Kwanten (True Blood), que se encanta pelo Pão de Açúcar e decide escalá-lo, com o motorista. O curta é leve e divertido, mas pecou na aparição de Bebel Gilberto, que foi um tanto desnecessária, além de esteticamente fora do contexto do segmento.

Já “Texas”, do mexicano apaixonado pelo Brasil Gullermo Arriaga (Babel, 21 Gramas), traz a comovente história de um boxeador que perdeu um braço em um acidente de carro que também deixou sua mulher em uma cadeira de rodas. As falas são pouquíssimas, mas a atuação dos dois atores principais é linda. Guillermo disse que estava interessado nas contradições da sociedade brasileira. Apesar disso, o curta não tem uma relação muito significativa com a cidade do Rio e, embora bom, o achei deslocado.

Digo o mesmo sobre “Quando não há mais amor”, de John Turturro, que mostra um casal em crise. A cidade do Rio não influencia em nada a história, que poderia se passar em qualquer lugar do mundo, a qualquer momento. O ponto alto é a música de Vanessa Paradis, mas de todos, foi o curta mais fraco e ficou deslocado do resto.

Paolo Sorrentino dirigiu “La Fortuna”, em que um casal formado por um homem mais velho em uma cadeira de rodas e uma mulher mais jovem e fútil vai para sua casa de praia no Rio. O curta rende boas risadas e tem um humor negro divertido, mas também trata o Rio apenas como cenário para a história.

Já “O Vampiro do Rio” traz Tonico Pereira como um garçom tipicamente carioca, de terno branco e gravata borboleta preta, um personagem clássico da nossa cidade, que tem um relacionamento no Vidigal com um prostituta interpretada por Roberta Rodrigues. Foi um dos segmentos que mais arrancou risadas do público na sessão para a imprensa, mas para mim foi um dos mais fracos, pois o humor é um tanto vazio e a história, rasa em comparação com os outros.

As transições ficaram a cargo de Vicente Amorim e mais um personagem tão presente nesta cidade, o taxista (Michel Melamed). Segundo Melamed, “o taxista representa uma das coisas mais maravilhosas do carioca, que é essa capacidade de se misturar”. Diversos personagens de outros curtas entram em seu carro e ouvem a história de seu amor perdido, com quem também interagem por acaso. Afinal, no Rio, todo mundo se conhece. Amorim explicou que o mais importante foi criar uma sensação de unidade e fluidez. “Conhecer os personagens para criar com eles uma rede de afetos. Todos estavam conectados”, explica o diretor, concluindo que “todo tipo de amor é possível no Rio de Janeiro”.

Rio, Eu Te Amo entrega aquilo a que se propôs e muito bem. Mostra a cidade como linda e apaixonante, mas ao mesmo tempo decepcionante em muitas situações. Como resumiu Michel Melamed, “é uma conciliação entre o Rio mítico e o Rio real. Sempre com uma lente poética porque a cidade precisa desse carinho. Somos os carinhocas”. O longa estreia nesta quinta-feira, 11 de setembro, em 220 salas no Brasil. Luiza Canetti

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