Melhor do Rio: Catete

A lembrança mais forte que eu tenho do Catete é de um suco de uva delicioso que eu tomei em alguma casa de lanches do bairro. Estava eu curtindo meus 15 anos – e nem tanto a ideia de que iria colocar aparelho fixo nos dentes nos próximos dias (isso tem a ver com a visita ao bairro!) -, quando meu pai sugeriu que comêssemos algo na rua. Tinha acabado de fazer radiografias da face e um molde super incômodo, logo, a ideia de comer, que é sempre boa, foi potencializada e considerada sensacional. Caminhamos um pouco pela rua do Catete, lanchamos e voltamos para casa.

Passei poucas vezes pelo Catete após esse dia e nunca soube o nome da lanchonete do suco delicioso. Mas, anos depois, comecei a trabalhar bem perto do bairro, na Glória, e descobri que não faltam lanchonetes e padarias, cheias de sucos e salgados de dar água na boca. Meu favorito, sem dúvidas, é o Big Néctar, na esquina da rua do Catete com Silveira Martins. O queijo quente com qualquer suco é uma ótima pedida para o lanche da tarde.

Já a lembrança mais antiga que eu tenho do Catete está relacionada a um passeio cultural clássico para estudantes do Ensino Fundamental, o Museu da República. Lá, está guardado um pedaço importante da nossa história. Na passagem do século XIX para o século XX, no início da República no Brasil, o museu foi sede do Poder Executivo e palácio presidencial, ficando conhecido como Palácio do Catete. O fato mais conhecido ligado ao museu é o suicídio do presidente Getúlio Vargas, que aconteceu no dia 24 de agosto de 1954, dentro do palácio. Até hoje é possível visitar a sala onde aconteceu o ato e ver alguns objetos da época, inclusive, o pijama que ele usava quando se matou. Fui quando era muito pequena e confesso que não tenho vontade de repetir a visita porque não é nada divertida, mas, do ponto de vista histórico, é muito válido conhecer.

Dentro do Palácio há uma lojinha muito simpática, que tem desde objetos de decoração até livros e DVDs de filmes. Vale a pena ganhar um tempo garimpando pelas prateleiras. O bom investimento é certo. Do lado de fora do museu, há um grande parque, com árvores, banquinhos, lago, animais e brinquedos. Com frequência, o museu recebe eventos, que são um atrativo a mais para a visita. Atualmente – e até o dia 14 desse mês – acontece lá o Green Nation Fest, festival promovido pela ONG Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente, que coloca em pauta o desafio de construir junto com a sociedade um mundo realmente sustentável em práticas, atitudes, comportamentos e mudanças de olhar. Há atividades práticas – todas gratuitas – para adultos e crianças, além de palestras e seminários sobre temas como arquitetura, urbanismo, moda e alimentação. O Museu da República abre de terça a sexta, das 10h às 17h. Aos sábados, domingos e feriados, o funcionamento é das 14h às 18h.

O Catete é um bairro pequeno e fofo, muito bem servido pelo metrô e por diversas linhas de ônibus. A rua do Catete é rica em comércio. Passear por ela é ter a certeza de fazer grandes achados em forma de pequenas lojas de bairro, daquelas que pertencem há anos ao mesmo dono, que, por sua vez, conhece os clientes pelo nome. Nas ruas menores, os sobrados antigos, do final do século XIX e início do século XX, são um charme à parte.

Segurando a onda dos elogios, é preciso dizer que falta cuidado e conservação ao Catete. As ruas têm muita sujeira espalhada, o trânsito poderia ser mais ordenado e os arredores do Museu da República, por exemplo, costumam ser usados como banheiro por pessoas sem educação, o que deixa um cheiro péssimo no ar. Mesmo assim, vale a visita para conhecer mais um cantinho do Rio de Janeiro, que nos encanta sempre.

Viviane da Costa

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