Pitaco: porque dinheiro não compra estilo

Vez ou outra, quando eu encontro alguma peça de roupa legal e em conta em uma loja escondida ou um daqueles achados de liquidação, minha mãe lembra de uma amiga da juventude que, nas palavras dela, andava sempre ‘nos trinques’, mesmo gastando pouco. A Edna, que se vestia de forma tão elegante, ainda que com roupas de brechó, ponta de estoque ou feitas em casa mesmo, era referência de estilo para a minha mãe por um simples motivo: ela imprimia sua marca própria em tudo o que vestia. Eu não conheci a Edna – a amizade dela e da minha mãe foi daquelas que os diferentes rumos da vida se encarregam de desfazer. Porém, imagino que hoje, já na casa dos 60 anos, ela deve ser como uma das mulheres do blog/documentário Advanced Style, senhoras que não abrem mão da criatividade na hora de se vestir (sim, eu amei o projeto e o filme e acho muito justo falar dele de novo aqui ;)).

Se a Edna fosse personagem do Advanced Style, eu apostaria que ela teria um pouco de Debra Rapoport, americana, 68 anos, fã de brechós e customizações. Debra tem um estilo único, com muitas sobreposições, texturas, cores e peças diferentes, e, com sua alma de artista, vive conforme a filosofia de que se vestir é como criar uma obra de arte, um exercício de criação que vai além do que se tem na conta bancária.

Enquanto refletia sobre esse post, parei para pensar nas minhas referências de que estilo e personalidade não se vende em nenhuma loja e rapidamente três nomes pularam na minha cabeça: Ana Carolina, do blog Hoje Vou Assim Off, Joanna Moura, do Um Ano Sem Zara, e Carol Burgo, do Small Fashion Diary. A Ana se inspirou no blog Hoje Vou Assim e fez uma versão com, digamos, um orçamento mais limitado, provando que dá para se vestir bem e barato. A Jojo passou um ano sem comprar, reinventando as peças que tinha no armário em um desafio para sair do vermelho – ela reeditou a brincadeira agora numa versão menor e muito fofa, vale conferir aqui. A Carol sempre garimpa peças ótimas em brechós e feirinhas, confecciona do jeitinho que quer as que não consegue encontrar e tem sempre uma peça de fast fashion nos looks que usa.

Talvez você pense: ‘Mas elas também têm peças caras e de grife no guarda-roupas’. Sim, e quem não tem? Seja com roupas de grife, de lojas de departamento, de brechós ou tudo isso junto, o que a Ana, a Jojo, a Carol, a Debra e até a Edna têm a nos ensinar é que o estilo está muito além de dinheiro, basta dar uma olhada nos deslizes que ocorrem nos tapetes vermelhos anuais para constatar que nem sempre um vestido luxuoso de dez mil dólares é sinônimo de elegância ou se adaptará à personalidade de quem o está vestindo. Estilo vai além do que é tendência ou moda e está muito mais próximo de atitude e criatividade pessoal.

Júlia Faria

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